Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!

Como lidar com os filhos sem fazer diferença

Deixe um comentário

*Entrevista para o Portal Accu-Chek: https://www.accu-chek.com.br/br/noticias/como-lidar-com-filhos-sem-fazer-diferenca.html

 

A integração da família propicia convivência harmoniosa com o diabetes

“Não tinha ideia do que era diabetes. Achei que apenas fosse necessário tomar um comprimido por dia e evitar doces. Com o tempo e a rotina, passei a ter consciência da condição. Tudo o que o médico mandava fazer, eu fazia. Não parei para pensar no fato de ser uma doença sem cura, nem que poderia ter complicações sérias caso não cuidasse corretamente.

Sentia muita pena da minha filha Vittoria. No começo, com poucas informações e muitas vezes erradas, enfiava os pés pelas mãos e sempre que a via sofrendo com aplicações de insulina ou algo que não podia comer, sofria junto. Mas fiz o possível para não tratá-la muito diferente do habitual. Nem sempre consegui. Por vezes, deixei-a fazer o que queria para não ter que discutir ou vê-la chorar”.

Este relato tão emocionado é de Nicole Lagonegro, professora e mãe da Maria Vittoria, 8 anos, três anos com diabetes tipo 1. Trocou de médico algumas vezes e descobriu que Vittoria poderia ter uma alimentação saudável, equilibrada e comum. Sua outra filha, Maria Eduarda, de 6 anos, também compreendeu desde os 3 anos o que acontecia com a irmã.

“Sempre que eu conversava com a Vittoria sobre diabetes, fazia questão de que a Duda estivesse junto, afinal, era algo novo que afetaria a família toda e a Duda tinha que se familiarizar com a nova rotina. Disse para ela que o corpinho da Vivi (Vittoria) não produzia insulina, substância que fazia a energia dos alimentos chegar onde precisava e que por isso teria que aplicar insulina”, explica Nicole.

A relação das irmãs

Com o diagnóstico do diabetes, a atenção dos pais se volta para o pequeno que requer alguns cuidados para conseguir entender a condição. Segundo Graça Camara, conselheira do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e coordenadora do Departamento de Psicologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, “é impossível fingir que nada aconteceu e o irmão percebe isso”.

No primeiro momento, o ideal é que os pais não passem medo nem insegurança ao filho com diabetes. Eles devem procurar ajudá-lo a entender a doença. E não devem tratá-lo como coitadinho. O primeiro passo é obter todas as informações sobre a disfunção e transmiti-las de forma clara e aberta”, comenta Graça.

De acordo com Graça, “passado o susto, é necessário que os filhos continuem sendo tratados da mesma maneira. Nada de proteção exagerada e privilégios para a criança com diabetes, mesmo no caso de brigas entre eles, pois o irmão que não tem diabetes também precisa de afeto e criará problemas sérios se sentir preterido”.

Nicole diz que o zelo por Vittoria despertou ciúmes da irmã. “No decorrer do tempo, Duda começou a perceber que inevitavelmente a irmã tinha mais atenção e cuidado. Fizemos terapia juntas e lá Duda verbalizou que sentia ciúmes, que todos gostavam mais da Vittoria, que só cuidavam da irmã e ninguém queria saber dela. Dizia que gostava de ficar doente, porque só assim tinha a mesma atenção da Vittoria”.

“Acho que ainda hoje não consigo dar atenção igual às duas. Os cuidados com a Vittoria exigem mais atenção, pois pergunto se minha filha está se sentindo bem, se está com fome, se mediu a glicemia, se pegou o kit…e não tenho que ficar ligada na Duda desse jeito. Então parece que cuido mais de uma do que da outra. Sempre que posso, tento fazer atividades sozinha com a Duda, como um passeio diferente, uma brincadeira. Mas até hoje ela comenta que sente diferença na atenção, adiciona Nicole.

“O diabetes não impede nenhuma atividade. A criança só deve ser bem orientada para saber como agir em caso de hipo e hiperglicemia, por isso existe a necessidade de ter autonomia mais cedo. Os pais não devem ficar lembrando o tempo todo que seu filho tem diabetes, pois ele pode se sentir diferente do irmão ou dos amigos. É preciso que a família crie um ambiente agradável, de harmonia e sinceridade, para que todos se sintam à vontade para falar do assunto sem medo ou vergonha”, acrescenta Graça.

Alimentação

Graça comenta que “o tratamento do diabetes requer uma alimentação pobre em açúcares e gorduras. Sobre as guloseimas, não é interessante separar o armário dos produtos dietéticos dos tradicionais. Seria como se os pais estivessem delimitando parte do armário para um filho e parte para outro. As crianças devem ter responsabilidade e saber que o que tem diabetes deve  dar preferência aos produtos dietéticos sem o açúcar e não haverá problema se o irmão quiser acompanhar”.

Outro alerta que Graça faz é em relação à recompensa que muitos pais praticam para que os filhos realizem as tarefas. “A recompensa funciona como uma ‘chantagem’ que não deve ser praticada em qualquer relação entre pais e filhos. Em cada momento de desenvolvimento da criança, os pais devem utilizar o diálogo, envolvimento e compreensão da importância de estudar, de adquirir novos hábitos de alimentação, atividade física, monitorização da glicemia e aplicação de insulina, horários, registros. Tudo que for necessário para o controle do diabetes”.

Nicole conta que não costuma recompensar boas atitudes. Ela se sente contente quando as duas realizam alguma boa iniciativa sem pedir, mas tanto Duda quando Vittoria não têm recompensas materiais, apenas ouvem elogios de forma igualitária.

Por isso, para que a família possa conviver com mais harmonia, Nicole procurou uma terapeuta. “Desde o início de 2009, fazemos terapia em família, eu, Duda e Vittoria, pois o diabetes afeta a família toda de alguma forma e neste momento da semana temos a oportunidade de conversar sobre o assunto e expor nossos sentimentos e não somente a pessoa que tem diabetes”.

Para Graça, “a aceitação da criança fica muito ligada à aceitação pelos pais. Portanto, a busca pela informação e a mudança de comportamento de forma gradativa dos pais e da criança significam educação em diabetes e também maior adaptação e aceitação da condição”. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s