Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!


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Qual é o seu medo com relação ao diabetes?

Eu tenho três medos. Acho que nunca falei sobre isso aqui. Meus medos não me paralizam. Não me desanimam. Muito pelo contrário. Acho que por causa deles eu cuido dela como cuido e tenho o blog pra incentivar outras pessoas a se cuidarem e me engajei na causa…

Primeiro: HIPOGLICEMIA – Esse sempre foi meu primeiro medo. Talvez por ser o mais corriqueiro e que pode nos pegar a qualquer momento. Tenho pavor de convulsões. Sempre me senti um lixo quando isso aconteceu. São nesses momentos que eu percebo que não somos nada, que não temos o controle de nada, por mais que cuidemos e nos descabelemos… eles acontecem quando menos esperamos. Meu maior medo com relação a hipoglicemia é acontecer quando ela estiver sozinha, ou com pessoas que não saibam o que fazer. Medo de que ela se machuque, sofra muito e tenha alguma consequência séria por causa disso.

Segundo: BANCAR O TRATAMENTO – A bomba de insulina só nos foi possível, assim como a levemir e novorapid, porque o governo nos dá. Caso contrário, nós estaríamos, como muitas pessoas estão, dependendo de NPH e Regular. Tenho medo de não conseguir manter esse padrão enquanto ela depender de mim. Tenho medo de dar a louca no governo e eles suspenderem o fornecimento ou dificultarem absurdamente o acesso ao mesmo. Eu não fico pensando muito nisso não, mas uma vez por mês, quando pego meus insumos, sinto uma inseguraça enorme, de chegar no balcão e o atendente dizer; NÃO TEMOS CANULA… que é a parte mais cara. Estou me sentindo bastante insegura pois esse mês foi minha última dispensação antes da renovação. Um processo novo que está acontecendo aqui em SP. A burocracia está maior e a Comissão de Farmacologia não está cumprindo com o prazo de 30 dias. As pessoas tem ficado 40, 60 dias sem receber. Até dia 18 de dezembro preciso receber um telegrama dizendo que posso ir buscar. Eles receberam minha documentação dia 12 de novembro… ou seja…. O que faremos? Terei que correr atrás de doação? Vender coisas pra comprar cânula, voltar pras canetas? Não tenho deixado esse sentimento tomar conta do meu sossego e vou deixar pra me descabelar dia 18.

Terceiro: COMPLICAÇÕES – Acho que esse é um medo comum, né. Ninguém quer ver uma pessoa querida sofrendo com dores ou qualquer outro tipo de impedimento. Faço o que posso hoje, espero que ela continue se cuidando, mas sei que se acontecer, paciência. Vamos cuidar. Penso em todo o cuidado que ela deverá ter 24 horas por dia todos os dias de sua vida. Os cuidados que deverá ter caso queira engravidar. Os cuidados que deverá ter dependendo da profissão que tiver. Acho que essas coisas todas permeiam os pensamentos de todos nós, especialmente nós, pais, que sempre queremos o melhor presente e futuro pros nossos filhos…

E como disse antes, esses medos existem, às vezes penso neles mas não deixo que eles me dominem. É uma realidade, não é? Não dá pra fingir que essas coisas não existem. Elas estão aí, vira e mexe conhecemos alguém que tem alguma complicação, que tem problema com insumos com o governo. Esses meus medos são reais e não devaneios de uma mãe neurótica e obsessiva!

Uso esses pensamentos como fonte de energia pra seguir em frente na batalha quando me sinto cansada, exausta e louca pra desistir de tudo.

E vocês? O que mais temem e como lidam com esses medos?

 

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Você ‘comemora’ seu aniversário de diabetes? Vivi completa 4 anos de DM1 !!

Nâo esqueçam de votar novamente no nosso blog pro TOP BLOG 2012! Se você acha que o blog tem um conteúdo que deve ser divulgado amplamente, um conteúdo que ajuda as pessoas, que te ajudou, não deixe de votar. Essa é a segunda fase que encerra dia 10 de novembro!

Diaversário!!! Há quem invente palavras! Faz parte.

Vocês comemoram essa data ou sofrem com ela???

Hoje faz 4 anos que tivemos o diagnostico da Vivi.  Ano passado, a data passou meio batida. Esse ano eu lembrei mais cedo e comentei. Ela se mostrou muito contente com a data e não fez outra coisa essa semana a não ser contar pra todo mundo que o aniversário de 4 anos de diabetes tava chegando.

Até no escotismo hoje, cantaram parabéns pra ela! Por estar se superando a cada dia, encarando esse desafio muito bravamente!!

Essa é a minha mania. Guardo todos os tubinhos de tiras!!
E ela escolheu essa camiseta por conta própria! Aqui nada é combinado. Tudo sempre muito espontâneo!

No café da manhã, conversando sobre o assunto, meu pai perguntou: -Pra que comemorar isso? Essas coisas não se comemoram.

O diabetes foi um divisor de águas. Existem diversas coisas ruins, mas também existem coisas boas! E em quase tudo na vida, temos duas escolhas: direita e esquerda, frente e trás, cima e embaixo, sim e não, pra lá ou pra cá, ir ou voltar, SER FELIZ OU SER INFELIZ… guardar coisas boas ou guardar coisas ruins. São ESCOLHAS! Algumas mais conscientes, outras mais doloridas, mas no final das contas, todas são escolhas e todas elas trazem consequências.

Aqui, optamos por ter apenas coisas boas em mente com relação ao diabetes. Principalmente porque ele é pra vida toda! Não tenho nenhum trauma, nenhuma lembraça negativa, não sinto nada diferente perto dessa data. Tem gente que a vida muda quando vai chegando perto desse ‘aniversário’, vai ficando triste, pensativo… mas aqui não.

Eu não sou a pessoa mais positiva do mundo! Muito pelo contrário até. Na minha vida pessoal e no jeito que lido com as MINHAS coisas, sou bem negativa, mas com as minhas filhas, sou muito diferente.

Aqui, comemoramos o diabetes sim por diversos motivos! Entre eles:

1. Ela está VIVA! E vive muito bem com o diabetes! Adora ter diabetes!

2. Existe tratamento pro diabetes que permite que a criança tenha uma vida mais próxima do normal possível, evitando sequelas no futuro.

3. O governo (de São Paulo) nos permite dar o melhor tratamento pra crianças portadoras de diabetes. Fornece insumos religiosamente, salvo raras exceções, e se compararmos com outros lugares, a burocracia nem é tanta.

4. Ela tem uma vida muito mais saudável que antes.

5. Criamos vinculos e conhecemos pessoas maravilhosas.

6. Temos uma associação incrível que luta pelos direitos das pessoas com diabetes

entre outras coisas…. não temos do que reclamar. Temos momentos mais difíceis, de decisões mais delicadas, mas não da pra reclamar se compararmos com o todo.

Vejam um vídeo que fizemos! E um recadinho da Vivi (e da Duda) pras crianças recém diagnosticadas! Não editei, porque assim da pra perceber um pouco de ciúme da Duda! E a parte que ela fala da bomba, como vocês viram, foi espontânea e simplesmente porque ela é apaaaixonada por essa bomba! Não troca por nada na vida!!! Acho que trouxe tantos beneficios que ela se sente muito grata!


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[EVENTO BENEFICENTE – SP] Tá na hora do lanche!!!

Que tal comemorar o dia das crianças de um jeito diferente?

O Grupo de Mães e Amigos da ADJ – Diabetes Brasil organizou um evento muito legal. As crianças vão preparar três receitas na cozinha enquando seus pais batem um papo com profissionais da saúde sobre como controlar a glicemia das crianças na escola!

E maaais!!! As crianças que participarem ganharão a pastilha GLICOFAST pra experimentar!!!

Para se inscrever, basta fazer o depósito do valor referente a quantidade de pessoas que irão, mandar o comprovante com nome dos participantes, telefone e email pra contato pra algum dos emails citados aí na imagem e aguardar confirmação!

*Razão Social: Associação de Diabetes Juvenil – ADJ
CNPJ: 43.567.809/0001-02

Banco: Bradesco
Agência: 2979-3
Conta Corrente: 650-5


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Encontro de Famílias DM1 no Rio de Janeiro – 22 de julho de 2012

Fico realmente mexida quando vejo alguém como a Sarah, fazer o que fez e realizar um encontro desses sozinha. Sozinha que eu digo é sem apoio de associação ou patrocínio. Voluntários, amigos, pessoas que fazem o bem pelo bem se uniram para esse evento e ele foi incrível. Adorei fazer parte e sempre que possível espero estar junto. Parabéns, Sarah. Te admiro demais!

Atitude – A união faz a força – A vida em sociedade fica mais fácil se entendermos que dependemos uns dos outros para viver melhor – por Eugênio Mussak | fotos André Spinola e Castro

Trechos que explicam a importância da união, dos encontros, da troca de informação. Unam-se pessoas. Ninguém se dá bem sozinho. Unam-se. Independente de procedência, de sexo, de idade, de tratamento, de marcas usadas. Unam-se. Unidos somos mais forte. Sempre.

Mexa-se. Procure pessoas com a mesma meta, mesmo ideal, mesmo objetivo. Encontrem-se. Conversem. Troquem tudo que puderem. Se ajudem, se ouçam, se consolem. Compartilhem, somem.

“Embora tenhamos nossos próprios pensamentos e vontades, dependemos uns dos outros para sobreviver, como as células que começaram a viver amontoadas. Em outras palavras, retiramos nossa força dos outros, do conjunto, do coletivo. O macro imita o micro e, em todos os níveis da vida, não há a menor dúvida, é a união que faz a força.”

“Diferentes ficam iguais.Quando falamos em união de forças, não estamos nos referindo apenas à união de indivíduos iguais, que, por serem iguais, naturalmente se juntam. Os diferentes também se aglutinam e, dessa forma, se assemelham.

“O líquen é um exemplo de seres diferentes que se juntam para poder viver. Separados, morreriam rapidamente. Já os humanos são, em princípio, semelhantes, mas nem por isso se toleram, em função de suas pequenas diferenças. E é exatamente a intolerância com as diferenças que provoca a desagregação social e produz a fraqueza da humanidade. Hoje vivemos à sombra do fundamentalismo. E o que é o dito-cujo, senão a intolerância levada a extremos? O fundamentalista diz: “Eu o odeio, porque você não pertence à minha religião, à minha classe social, à minha nacionalidade ou à minha cor de pele”. E é o homem que é o ser racional? O líquen parece mais inteligente.”

“As ações individuais são essenciais, mas na maior parte das vezes é necessário um pouco mais do que isso para que se observem os grandes resultados. Aliar-nos aos outros nos faz mais fortes e nos deixa mais perto da vitória. Somos frágeis demais para desdenhar o apoio dos outros e desprezar a força do conjunto. O título-tema deste artigo fala por si, pois qualquer pessoa, com o mínimo de lucidez, sabe que a união faz, sem dúvida nenhuma, a força do ser humano.”

Adorei conhecer todos!

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[Mães em Ação] Nosso diagnóstico e a ‘culpa’

Coluna: Mães em Ação – Portal De Bem com a Vida

06/07/2012

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20 de outubro de 2008, 1 mês e 20 dias após minha separação, num exame de glicemia de jejum, confirmamos o que todos já imaginavam que seria. Diabetes tipo 1. Já imaginávamos pois o exame clínico mais os sintomas já deixavam bem claro o que tínhamos a nossa frente. Irritação, aumento absurdo de apetite e de sede, perda de peso, cansaço, dores de barriga, idas ao banheiro intermináveis que em uma semana passaram de uma vez por noite pra 5, 6 vezes POR NOITE, era diabetes tipo 1.

Eu, que não entendia nada de diabetes, não sofri. Imaginei que ela teria apenas que tomar alguns remédios e cortar os doces. Fiquei chateada pela parte dos doces, na verdade. Formiga do jeito que sou, essa seria a pior parte. Doce ilusão. Tivemos muita sorte pelo fato do meu pai ser médico e de não precisarmos passar pela cruel experiência de saber por um médico de plantão, sem paciência, que a Vittoria teria diabetes para o resto de sua vida e que teria que tomar múltiplas injeções diariamente. Isso não é nada fácil de ouvir nem do seu pai no conforto de sua casa.

Muitas “fichas” só foram “caindo” ao longo da convivência. Talvez pela minha própria natureza de não achar que as coisas são realmente do tamanho que nos apresentam. As coisas tem o tamanho que queremos que elas tenham. Primeira medição de glicemia, primeira aplicação de insulina foram feitas em casa por mim. Isso, acho que trouxe um baita conforto pra todos. Ambiente hospitalar não é o mais legal pra esse tipo de coisa, cheio de gente estranha, sons e luzes diferentes do que estamos acostumados, mas infelizmente é onde a maioria das pessoas tem seu diagnóstico e passam a saber um pouco mais sobre o diabetes. Da pior forma que poderia ser.

Enfim, após as glicemias verificadas e as doses de insulinas aplicadas, começaram a surgir as perguntas e comentários, que na época eu achava bem maldosos, hoje vejo que a desinformação é que traz esses questionamentos descabidos: “Quem na família tem diabetes?”, “Isso é emocional, foi por causa da sua separação.”, “Mas que tipo de coisas vocês comiam, ela é tão magrinha pra ter diabetes”, “Volte com seu ex-marido, assim ela melhora”, “Da minha família não foi, só pode ter sido da sua”.

nosMães já são seres que se sentem culpados por natureza e depois de um diagnóstico de uma doença crônica, ouvir esse tipo de pergunta só piora tudo. O que vai ajudar- e que me ajudou também- a não se sentir mais culpado ainda é entender o que é o diabetes tipo 1, de onde ele vem, como ele acontece. Dessa forma, você vai ver que a culpa não é sua. Nem da sua família, nem da sua alimentação, nem da sua decisão de se separar do seu marido, ou de não ter tido leite pra amamentar seu filho até os dois anos de idade, nem de ter dado todas as vacinas que deu. O diabetes vai acontecer, mais cedo ou mais tarde, por ser uma combinação genética da criança, essa combinação nasceu com ela. E você tem algum poder sobre a combinação genética? NÃO!!! Você teria como prevenir o diabetes tipo 1 com alimentação? NÃO !!! Não existe NADA que possamos fazer – ou no meu caso, poderia ter feito – pra evitar que nossos filhos se tornem diabéticos… O stress da separação pode ter dado o ‘start’ ? Sim…. mas se não tivesse sido isso, seria qualquer outra coisa! Existem coisas que não conseguiremos explicar… assim como algumas hiperglicemias ou hipoglicemias. São coisas do corpo. Elas acontecem sem necessariamente um porquê, e tentar explicá-las ou descobrir a razão de tudo, pode causar um desgaste desnecessário, principalmente nos primeiros meses após o diagnóstico. O que nós podemos fazer é cuidar pra não nos afundarmos na culpa. NÃO EXISTEM CULPADOS. Mantenha-se informado, informe quem está ao seu lado e tenha uma convivência saudável com o Diabetes!


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A genética do diabetes… De onde vem? Pra onde vai?

Ví no blog da Silvia e achei incrível! Vale a pena perder uns minutinhos!

A Genética do Diabetes

Provavelmente você desejou saber como adquiriu diabetes. Você pode estar preocupada se seus filhos também terão. Ao contrário de algumas características, o diabetes não parece ser herdado em um padrão simples. Contudo, claramente algumas pessoas já nascem com predisposição para desenvolver a doença.

O que leva a ter diabetes?

As causas para o diabetes tipo 1 e tipo 2 são diferentes. Ainda assim, dois fatores são importantes em ambos. Primeiro, você deve ter herdado uma predisposição para a doença. Segundo, alguma coisa no seu meio ambiente deve ter ativado o diabetes. Somente os genes não são suficientes. Uma prova disto são irmãos gêmeos idênticos. Irmãos gêmeos idênticos têm genes idênticos. Contudo, quando um gêmeo tem diabetes tipo 1, o outro adquire a doença quase na metade das vezes. Quando um gêmeo tem diabetes tipo 2, o risco do outro é na maioria das vezes de 3 em 4.

Diabetes Tipo 1

Na maioria dos casos de diabetes tipo 1, as pessoas precisam herdar os fatores de risco dos pais. Nós entendemos que estes fatores são mais comuns entre os brancos porque estes têm a maior taxa de diabetes tipo 1. Como a maioria das pessoas em risco de adquirir diabetes não têm a doença, pesquisadores querem descobrir qual a influência do meio ambiente para o aparecimento da mesma.

O diabetes tipo 1 desenvolve com mais freqüência no inverno e é mais comum em lugares de clima frio. Outro fator, responsável pelo para desencadear o diabetes pode ser um vírus. Talvez um vírus, de efeitos moderados na maioria das pessoas, pode ativar o diabetes tipo 1 em outras.

Uma dieta logo no início do nascimento pode ter uma participação. O diabetes tipo 1 é menos comum em pessoas que foram amamentadas e naquelas que se alimentaram de alimentos sólidos mais tarde.

Em muitas pessoas, o desenvolvimento do diabetes tipo 1 parece demorar muitos anos. Em experimentos que seguiram parentes de diabéticos tipo 1, pesquisadores descobriram que a maioria daqueles que tiveram diabete em idade mais avançada, tinham certamente auto-anticorpos no sangue por muitos anos antes. (Auto -Anticorpos são anticorpos “que deram errados”, os quais atacam os próprios tecidos do corpo).

Diabetes Tipo 2

O diabetes tipo 2 tem bases genéticas mais fortes que o diabetes tipo 1, mas ainda assim depende mais de fatores ambientais. Parece confuso? O que acontece é que o histórico familiar de diabetes tipo 2 é um dos fatores de risco mais forte para se adquirir a doença.

Americanos e Europeus comem muita comida com gordura e com pouquíssimo carboidrato e fibra, e praticam poucos exercícios. O diabetes tipo 2 é comum em pessoas com esses hábitos. Nos Estados Unidos, os grupos étnicos com maior risco de adquirir a doença são os Afros Americanos, Mexicanos Americanos, e os Índios.

Outro fator de risco para adquirir diabetes tipo 2 é a obesidade. A obesidade é mais arriscada para os jovens e para pessoas que têm sido obesas por um longo tempo.

O diabetes gestacional é mais um quebra-cabeça. Mulheres que adquirem diabetes durante a gravidez têm provavelmente um histórico familiar de diabetes, especialmente pelo lado materno. Mas como em outras formas de diabetes, fatores não genéticos têm certa influência. Mães de idade mais avançada e mulheres acima do peso têm mais propensão a adquirir diabetes gestacional.

Diabetes Tipo 1: o risco do seu filho

Em geral, se você é um homem com diabetes tipo 1, o risco de seu filho adquirir diabetes é de 1 em 17. Se você é uma mulher com diabetes tipo 1 e seu filho nasceu antes de você ter 25 anos, o risco dele adquirir diabetes é 1 em 25; se seu filho nasceu depois que você completou 25, o risco dele é de 1 em 100.

O risco de seu filho é dobrado se você desenvolveu diabetes antes dos 11 anos. Se você e seu marido têm diabetes tipo 1, o risco fica entre 1 em 10 e 1 em 4.

Existe um teste que pode ser feito para crianças que têm irmãos com diabetes tipo 1. Este teste mede os anticorpos para insulina, para ilhotas de células no pâncreas, ou para uma enzima chamada

Ácido glutâmico descarboxilase. Altos níveis podem indicar que uma criança tem altos riscos de desenvolver diabetes tipo 1.

Diabetes Tipo 2: o risco de seu filho

Diabetes tipo 2 ocorre nas famílias. Em parte, essa tendência se deve porque as crianças aprendem maus hábitos de seus pais, por exemplo, comer mal, e não se exercitar. Então há também uma base genética.

Em geral, se você tem diabetes tipo 2, o risco de seu filho adquirir diabetes é 1 em 7, se você foi diagnosticada antes dos 50 anos, e 1 em 13 se você foi diagnosticada depois dos 50.

Alguns cientistas acreditam que o risco de uma criança adquirir diabetes é maior quando é a mãe que tem diabetes tipo 2. Se ambos, você e seu companheiro têm diabetes tipo 2, o risco de seu filho é cerca de 1 em 2.

O que é “Em Risco?”

Estimativas de risco são as melhores suposições dos cientistas. Eles podem estar errados. As estimativas de risco lidam com probabilidades, não lidam com certezas.

Isso significa, que você pode adquirir a doença apesar de ter um risco baixo ou você pode não adquirir a doença apesar de ter um alto risco. Por exemplo, fumantes têm um alto risco de câncer no pulmão, mas alguns fumantes nunca têm câncer.

Esses fatores significam que seus filhos podem ter diabetes ainda que o risco deles adquirirem a doença seja baixo. A média entre americanos com chance de adquirir diabetes tipo 1 é de 1 em 100 e 1 em 9 de adquirir diabetes tipo 2. Mesmo que o risco de seu filho adquirir diabetes não seja maior que de outra criança, ele ou ela poderá assim mesmo adquirir a doença.

Fonte: American Diabetes Association (ADA)


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Como lidar com os filhos sem fazer diferença

*Entrevista para o Portal Accu-Chek: https://www.accu-chek.com.br/br/noticias/como-lidar-com-filhos-sem-fazer-diferenca.html

 

A integração da família propicia convivência harmoniosa com o diabetes

“Não tinha ideia do que era diabetes. Achei que apenas fosse necessário tomar um comprimido por dia e evitar doces. Com o tempo e a rotina, passei a ter consciência da condição. Tudo o que o médico mandava fazer, eu fazia. Não parei para pensar no fato de ser uma doença sem cura, nem que poderia ter complicações sérias caso não cuidasse corretamente.

Sentia muita pena da minha filha Vittoria. No começo, com poucas informações e muitas vezes erradas, enfiava os pés pelas mãos e sempre que a via sofrendo com aplicações de insulina ou algo que não podia comer, sofria junto. Mas fiz o possível para não tratá-la muito diferente do habitual. Nem sempre consegui. Por vezes, deixei-a fazer o que queria para não ter que discutir ou vê-la chorar”.

Este relato tão emocionado é de Nicole Lagonegro, professora e mãe da Maria Vittoria, 8 anos, três anos com diabetes tipo 1. Trocou de médico algumas vezes e descobriu que Vittoria poderia ter uma alimentação saudável, equilibrada e comum. Sua outra filha, Maria Eduarda, de 6 anos, também compreendeu desde os 3 anos o que acontecia com a irmã.

“Sempre que eu conversava com a Vittoria sobre diabetes, fazia questão de que a Duda estivesse junto, afinal, era algo novo que afetaria a família toda e a Duda tinha que se familiarizar com a nova rotina. Disse para ela que o corpinho da Vivi (Vittoria) não produzia insulina, substância que fazia a energia dos alimentos chegar onde precisava e que por isso teria que aplicar insulina”, explica Nicole.

A relação das irmãs

Com o diagnóstico do diabetes, a atenção dos pais se volta para o pequeno que requer alguns cuidados para conseguir entender a condição. Segundo Graça Camara, conselheira do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo e coordenadora do Departamento de Psicologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, “é impossível fingir que nada aconteceu e o irmão percebe isso”.

No primeiro momento, o ideal é que os pais não passem medo nem insegurança ao filho com diabetes. Eles devem procurar ajudá-lo a entender a doença. E não devem tratá-lo como coitadinho. O primeiro passo é obter todas as informações sobre a disfunção e transmiti-las de forma clara e aberta”, comenta Graça.

De acordo com Graça, “passado o susto, é necessário que os filhos continuem sendo tratados da mesma maneira. Nada de proteção exagerada e privilégios para a criança com diabetes, mesmo no caso de brigas entre eles, pois o irmão que não tem diabetes também precisa de afeto e criará problemas sérios se sentir preterido”.

Nicole diz que o zelo por Vittoria despertou ciúmes da irmã. “No decorrer do tempo, Duda começou a perceber que inevitavelmente a irmã tinha mais atenção e cuidado. Fizemos terapia juntas e lá Duda verbalizou que sentia ciúmes, que todos gostavam mais da Vittoria, que só cuidavam da irmã e ninguém queria saber dela. Dizia que gostava de ficar doente, porque só assim tinha a mesma atenção da Vittoria”.

“Acho que ainda hoje não consigo dar atenção igual às duas. Os cuidados com a Vittoria exigem mais atenção, pois pergunto se minha filha está se sentindo bem, se está com fome, se mediu a glicemia, se pegou o kit…e não tenho que ficar ligada na Duda desse jeito. Então parece que cuido mais de uma do que da outra. Sempre que posso, tento fazer atividades sozinha com a Duda, como um passeio diferente, uma brincadeira. Mas até hoje ela comenta que sente diferença na atenção, adiciona Nicole.

“O diabetes não impede nenhuma atividade. A criança só deve ser bem orientada para saber como agir em caso de hipo e hiperglicemia, por isso existe a necessidade de ter autonomia mais cedo. Os pais não devem ficar lembrando o tempo todo que seu filho tem diabetes, pois ele pode se sentir diferente do irmão ou dos amigos. É preciso que a família crie um ambiente agradável, de harmonia e sinceridade, para que todos se sintam à vontade para falar do assunto sem medo ou vergonha”, acrescenta Graça.

Alimentação

Graça comenta que “o tratamento do diabetes requer uma alimentação pobre em açúcares e gorduras. Sobre as guloseimas, não é interessante separar o armário dos produtos dietéticos dos tradicionais. Seria como se os pais estivessem delimitando parte do armário para um filho e parte para outro. As crianças devem ter responsabilidade e saber que o que tem diabetes deve  dar preferência aos produtos dietéticos sem o açúcar e não haverá problema se o irmão quiser acompanhar”.

Outro alerta que Graça faz é em relação à recompensa que muitos pais praticam para que os filhos realizem as tarefas. “A recompensa funciona como uma ‘chantagem’ que não deve ser praticada em qualquer relação entre pais e filhos. Em cada momento de desenvolvimento da criança, os pais devem utilizar o diálogo, envolvimento e compreensão da importância de estudar, de adquirir novos hábitos de alimentação, atividade física, monitorização da glicemia e aplicação de insulina, horários, registros. Tudo que for necessário para o controle do diabetes”.

Nicole conta que não costuma recompensar boas atitudes. Ela se sente contente quando as duas realizam alguma boa iniciativa sem pedir, mas tanto Duda quando Vittoria não têm recompensas materiais, apenas ouvem elogios de forma igualitária.

Por isso, para que a família possa conviver com mais harmonia, Nicole procurou uma terapeuta. “Desde o início de 2009, fazemos terapia em família, eu, Duda e Vittoria, pois o diabetes afeta a família toda de alguma forma e neste momento da semana temos a oportunidade de conversar sobre o assunto e expor nossos sentimentos e não somente a pessoa que tem diabetes”.

Para Graça, “a aceitação da criança fica muito ligada à aceitação pelos pais. Portanto, a busca pela informação e a mudança de comportamento de forma gradativa dos pais e da criança significam educação em diabetes e também maior adaptação e aceitação da condição”.