Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!


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Medo, insegurança e falta de informação gera HIPERGLICEMIA.

Então seu médico passa uma prescrição de uso de insulina e te informa sobre o risco de hipoglicemia. Explica o que ela é e como tratar.

Você não entende muito bem do que se trata até passar por uma. Se apavora, e aí sua atitude em relação a aplicação de insulina muda. Não adianta dizer que não, que continua a mesma coisa, porque ela muda sim.

Acabamos não dando a quantidade de deveríamos. Diminuímos 0,5 unidade ou 1 unidade ou simplemente não fazemos o bolus porque VAI QUE ele tem uma hipoglicemia.

Sim, ela é aterrorizante, mas não podemos ser reféns dela. É comum a hemoglobina glicada aumentar após uma hipoglicemia severa. Ficamos com medo.

O que fazer pra isso não acontecer?

1º: Perder o medo e a insegurança. Seu filho sempre vai precisar de insulina e se ficar se preocupando o tempo todo com as hipos, vai esquecer das hipers e as consequencias que elas trarão no futuro dele. Como fazer isso? Se informando.

2º Entender melhor como as insulinas agem, como elas agem no corpo do seu filho, a interação com exercício físicos, a ação dela no corpo em eventos diferente. Como fazer isso? Observando.

A informação é uma arma absurdamente incrível contra medos, inseguranças e descontrole… entre outras coisas. Informe-se. Seja ativo nessa história. Não reclame do médico, da insulina, do posto de saúde, do governo. Informe-se. Só assim você pode cobrar e exigir mudanças que não dependem apenas de você.

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33mg/dl. Um número que nenhuma mãe quer ver….

E ontem eu ví!

Tivemos a famosa consulta dos 3 meses no endocrino. Pra variar, ela teve hipo indo lá. Isso acontece de 3 em 3 meses independente do que come, do horário da consulta, ela sempre tem hipo indo pra lá. E depois tem hiper.

17h – Tomou lanche no carro e esqueceu de aplicar insulina. Eu distraída com o transito, não percebi.

18h – Foi pra aula de tênis e eu não medi a glicemia. Como fazia pouco tempo q tinha medido, e tinha se alimentado, resolvi medir só depois.

19h30 – (2hrs e meia após o lanche) pré jantar, pós tênis, 350 mg/dl.. Foi aí que percebi que ela não tinha aplicado a insulina do lanche. Fez a correção. Jantou.

20h – Foi colocar os carboidratos do jantar mas o smart control (controle da bomba e glicosímetro)  acusou que a pilha estava acabando e não se conectou ao bluetooth, emitiu o aviso e então ela colocou direto na bomba, mas ao invés de colocar 1,0, que foi o que o smart sugeriu pra quantidade de carboidrato, colocou 1,5.

20h30 – Foi deitar.  E eu sempre meço às 22h, mesmo com ela já dormindo pra dar as 3 hrs do jantar.. mas como eu tava morreeeeendo de sono, fui medir um pouco mais cedo.

21h20… A glicemia estava 33 e ela dormindo. Comecei a dar o mel. Foram 5 sachês.

21h40 – glicemia 35.  Os 5 sachês nem fizeram cócegas. Dei mais dois e peguei um copo de água com 3 colheres de sopa de açúcar. Ainda tinha 0,6 unidades de insulina ativa, ou seja, ainda tinha insulina agindo então a glicemia ainda abaixaria. Desliguei a bomba.

22h – glicemia 99. Ufa, subiu um pouco, mas ainda não liguei a bomba e resolvi medir mais uma vez dalí uma hora.

23h – glicemia 126. Eu imaginei que com a quantidade de açúcar que dei, estaria mais alto. Liguei a bomba e coloquei o celular pra despertar às 3h.

3h – Desliguei o despertador e apaguei! hahaha

6h – Glicmeia 99 mg/dl.

Ela não teve sintomas. Estava com as olheiras absurdamente fundas. Acordou pra tomar o mel e a água, conversou pouco, mas parecia simplesmente entorpecida de sono. Meu medo era a convulsão a qualquer momento, mesmo enquanto a glicemia já estivesse subindo. Hoje cedo ela não se lembra de nada. Tive que mostrar no aparelho as medições 33 e 35 pra ela acreditar. E ficou espantada por não ter passado mal e disse que vai contar pra professora na escola hahahaha.

O que foi? Efeito da aula de tênis? Muita correção não foi porque sempre que preciso corrigir de noite, fica super bem…. Juntou o exercício com a correção de um valor mto alto?? Foi aquela 0,5 unidade a mais que ela deu?

Não sei. O importante foi que consegui reverter a situação. Mas vale como aprendizado. Em dias de esporte, como todos já estão carecas de saber, ficar mais esperta!!!

E ah, e hemoglobina deu 7,4%


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A Maldita Hipoglicemia.

Eu juro que quanto eu tiver um inimigo e precisar rogar uma praga, vai ser pro filho do cidadão ter uma hipoglicemia severa. (brincadeira, né… nunca terei inimigos e mesmo se tiver, só desejo paz e amor pra que volte tudo em dobro pra mim…)

Mas vamos combinar que essa hipo é de matar, literalmente, a criança que tem e a mãe que acode.

Lendo o blog dessa minha amiga láaa de Portugal, lembrei mais uma vez do que as hipos são capazes.

Ontem e hoje a Vittoria acordou na faixa dos 260mg/dl apesar de ter ido dormir nos 120. Ontem, dei uma unidade pra corrigir e 2 para a contagem de carboidratos. Ela sempre come o mesmo. Foi pra aula de natação e no almoço estava com 41 mg/dl.

Hoje, com a lição de ontem, dei uma unidade pra baixar e na contagem de carboidratos (comeu um pouco mais), eu deveria dar 3, somando no total 4unidades de novorapid, mas fiquei com medo do acontecido ontem, e dei apenas 3.

Foi pra natação. Estava esquisita no banho, medi lá, 156mg/dl. Ótimo. Era 10h40 da manhã, o almoço como sempre sairia ao meio-dia. Chegou em casa, deu piti, foi pro quarto e ficou chorando, chorando, reclamando da vida, de mim, de tudo. De repente me chamou querendo abraço. Estranhei.

Subi pra ver o que tava rolando, ela me viu, me abraçou e descemos. Mais um piti. Resolvi medir: 38mg/dl. Eram 11h15. Em mais ou menos meia hora, a glicemia dela despencou de 160 pra 38. E dessa vez demorou pra subir. Ela precisou deitar no meu colo, depois do mel e ainda chorando, dava umas apagadas, voltava, parecia que tinha cochilado, e dava mais uma chorada, cochilava… e 15 minutos depois acordou como se nada tivesse acontecido.

E daí, é claro, fico pensando o que foi que eu fiz de errado dessa vez, mas uma culpa light, porque já sei que não adianta bancar Jesus Cristo na cruz .

E uma das perguntas que eu fiz foi: Com que frequencia será que os glicosímetros fazem uma medição errada??? É normal cair tanto assim a glicemia em 30min? Ela tinha acabado de sair do banho, a mão limpinha, sequinha, será que os 160 estava certo?

Vocês ficam se perguntando essas coisas? Conseguem chegar a alguma conclusão? E outra, algo muda na rotinha após uma hipo? Vocês ficam com receio de dar a insulina rapida? Diminuem a quantidade por conta só pra garantir que nada aconteça?

 


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Glucagon (Glucagen®)

No site do Dr. Minicucci eu encontrei fotos do famoso glucagon. Eu nunca tinha visto e apesar de procurar bastante nunca encontrei. Ou  não vende, ou acabou, ou tá em falta e assim fico sem.

Dê uma olhada aqui e veja as fotos, a explicação e o que mais precisar!!!


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O dia-a-dia da Vivi…

em detalhes, porque acho que nunca ficou muito claro.

Manhãs:
2ª e 6ª – 8:30 subo na minha cama pra aplicar a Levemir nela (dorme na cama de cima do ‘triliche’), quando ela sente que estou chegando perto ela diz: BUMBUM NÃÃÃOOO…. ‘Tá bom, Vivi, me dá a perninha…’ Aplico e ela segue dormindo até umas 9h, às vezes mais, pra tomar café da manhã. Aí eu meço a glicemia, ela come e dou a NovoRapid. Brinca com a Duda, assiste TV, faz tarefa.

3ª, 4ª e 5ª – Acordamos às 8h, com muito custo consigo tirá-la da cama lá de cima no colo, contando piada e fazendo cócegas. Já vou tirando a roupa dela, coloco no banheiro pro xixi. Enquanto coloca o maiô pra natação eu meço a glicemia e vejo se precisa corrigir hipo. Nesse meio tempo ela desce e prepara o próprio café (iogurte com cereais, ou yakult e uma bolacha, nada perigoso) enquanto eu chaveco a Duda que é mais preguiçosa pra levantar. Ao descer com a Duda são 8.30, preparo o café dela e vejo o que a Vivi está comendo, calculo o carboidrato e aplico a Levemir e a NovoRapid, aí sim no bumbum… acho sacanagem enquanto ela dorme mas acordada não tem conversa. Como ela já apresenta lipodistrofia na barriga, agora é proibido. No braço já teve uns carocinhos, paramos de aplicar e melhorou. Na perna já aconteceu o mesmo, então quando pego ela de jeito, vai no bumbum. Até hoje ela reclama, diz que não, mas eu digo que é necessário mudar o lugar da aplicação, ela faz uma ceninha básica, aceita, tenta me dar um tapa (rss) e vai escovar o dente. A Duda termina o café (muitas vezes no carro, porque ela é uma lady e faz tudo em câmera lenta) e saímos. Na volta da natação rola metade de uma fruta, ou um danoninho (6,5 CHO) pra esperar o almoço.

12h 2ª a 6ª – Hora do temível almoço…
É, é o horário que termina o único desenho que elas assistem de manhã, o Peixonauta. Lavam as mãos e meço a glicemia da Vivi. Corrigimos (com mel, ou suco com açúcar, ou água com açúcar, o que o humor dela permitir) se estiver com hipo e ela senta pra almoçar. E a Duda junto. E começa o drama. Tudo dói, da cabeça aos pés, apetite some, aí começam as chantagem, as trocas, as barganhas de todo dia porque a menina tem que comer pra ir pra escola. A Duda já aprendeu o esquema direitinho, então quando esporadicamente a Vittoria não faz essa cena, a Duda faz! Pudera eu não sentir fome nesse horário, né! 12.30 de um jeito ou de outro, saímos da mesa pra escovar dente, fazer xixi, terminar de colocar as cosias na mochila… e tomar a NovoRapid se precisar. Normalmente com a super refeição que ela faz, não tem precisado. 12.50 Estão entregues e aí eu tenho um tempinho de sossego.

Tardes na escola!
A Duda graças à Deus não tem nenhum procedimento. Mas a Vittoria tem alguns. Sempre às 15h a professora mede a glicemia. Isso acontece deeeeesde que descobrimos o Diabetes e voltamos pra Minas. Porque esse é um horário safadinho, do pico da NPH (na época) e, mesmo a Levemir sendo lenta, é o horário que ela está a todo vapor. Coisas desagradáveis podem acontecer. As hipos. Dependendo do valor, faz a correção da hipo, toma lanche e toma a NovoRapid, sim, a professora aplica. Antes de começarem as aulas eu fui lá, expliquei tudo, fiz medições e aplicações na Vittoria pra ela ver, levei todos os meus folhetos, enfim. Não falta informação. Pode acontecer dela errar? SIM, assim como eu posso errar,  minha mãe, qualquer um que tenha que fazer essas coisas. Pronto. Lanche tomado. 2ª e 4ª tem esporte na escola até às 18h. Então acontece a nova medição pra ter certeza das condições dela de fazer atividade física. Faz-se o necessário e, em casa, as 18h, tenho que medir de novo, pelo menos agora no começo, até entender como o organismo dela vai reagir ao esporte nesse horário.

Noite
19.30 ou 20h sai o jantar. Às vezes o horário muda com o humor, glicemia, pitis, mas normalmente é isso aí. Lavam-se as mãos, a Duda inclusive, afinal vamos todos comer. Medimos a glicemia da Vivi, ela janta e ao final da sobremesa, perto das 20.30, calculo os carboidratos e aplico a Levemir de novo e a NovoRapid (se precisar).. de de novo meu lugar favorito é o bumbum! Mas depende do humor dela, das pessoas na casa, se tá na cozinha, na sala. Normalmente quando ela me vê com as canetas e já sabe que é no bumbum ela corre e se esconde… dá risada mas fica brava. Pego na força mesmo, mas num espírito de brincadeira, fazendo cócegas, rindo.. ela aceita a aplicação, ‘rosna’ e sai brincando numa boa. Assistimos algo na tv, elas brincam mais um pouco, ás vezes rola um DVD e às 22h medimos a glicemia de novo pra ela dormir. Dificilmente toma a Novorapid, só quando está acima de 300 e aí toma um copo de leite ou iogurte e vai dormir. Se ela chega às 22h com menos de 100, eu fico meio preocupada e apesar do lanche ser reforçado, programo meu celular pra despertar às 3h e meço de novo.

Esse é o resumo dos nossos dias. Todas as medições são tranquilas, ela me dá a mão, nem olha, nem pergunta, nem reclama, nada. Onde quer que a gente esteja, publico ou não, ‘medir o dedinho’ é como tossir, espirrar… não tem hora nem lugar. Eu meço e ela coloca o dedo na boca pra chupar o sangue que fica. Já a aplicação de insulina por vezes não se dá tão tranquilamente, mas nunca mais houve pitis como nas primeira semanas do diabetes. Ela diz onde quer, onde não quer, xinga o diabetes, a mãe, todo mundo, mas aceita. E também não tem lugar, restaurante, cinema, shopping, clube, parque, não interessa. Onde houver necessidade acontece a aplicação. Claro, não vou aplicar insulina em público no bumbum, né. É sempre no braço, o lugar mais acessível, mais rápido e que ela mais gosta.

Respondendo as perguntas da dona Roberta !! Eu acho que ela reagem MUITO bem a tudo isso. Mas muito bem mesmo, que dou a ela o direito de ter os pitis dela quando quiser!!!! Ela ainda sente vontade de comer doces mas muito pouco. E quando come, não consegue mais comer tudo que gostaria ou que comeria antes do diabetes. Como todo mundo, ela sempre se pergunta e ME pergunta: por que sou diabética? Nunca vou melhorar? Por que eu não vou ser normal nunca mais? Por que só eu tomo insulina? Por que eu sempre tenho que medir o dedinho? Por que você vive me perguntando se eu tô bem? Por que só eu passo mal (hipos)? .. Enfim…. mesmas questões que eu tenho, que você tem, que todo mundo deve ter. E é por isso que nós fazemos terapia. Numa semana eu vou sozinha e na outra vou com ela e a Duda. Ela faz acompanhamento com psicopedagoga 1x por semana e acaba sendo a terapia individual dela, desenha, pinta, conversa, canta… e assim o tempo vai passando.

Como eu percebo as hipos dela… eu não percebo MAIS. Já foi bem claro. Irritação, dores de cabeça ainda acontecem, mas o suor na mão não percebo mais. A fraqueza, moleza, nada. Sei quando faz tempo que ela não come, ou muita atividade física, acabo me adiantando na medição da glicemia pra evitar sustos. E ela me diz: Mãe, não tô bem. Minhas pernas tão fracas, minha cabeça tá doendo! Essas costumam ser as dicas. Mas se ela não fala, fica difícil. Sempre que acontece uma hipo com algum sintoma eu converso com ela e explico a sensação, faço ela perceber o corpo, o que tá diferente e disso que é a hipo que ela está sentindo, pra ela mesma começar a perceber as mudanças e avisar.

Acho que é isso….