Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!


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[Adolescência] Alterações de humor

Foram inúmeras as vezes em que me arrependi de dar uma bronca e depois ver que ela estava em hipo.

Foram inúmeras as vezes que pedi pra ela medir a glicemia antes da gente continuar uma discussão.

Foram inúmeras as vezes em que percebi que a pessoa que eu estava dando atendimento não estava conseguindo me acompanhar e tivemos que fazer uma pausa, uma glicemia, um copo de suco, uns 20 minutos e então continuar.

Não só eles, que têm o diabetes tipo 1, mas nós, que convivemos com eles, precisamos entender algumas demandas e ter estratégias definidas pra lidar com esse tipo de coisa.

Uma pausa, uma respirada funda, uma glicemia, um café com açúcar ou uma dose de insulina.

E a vida segue…

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Referência: Teen Toolkit – JDRF (Juvenile Diabetes Research Foundation) – disponível online


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Por onde eu ando e o que tenho feito! Ah, que saudade!

Gente do céu!! A última vez que passei por aqui foi em 2016! Quanta coisa mudou!!

Minha filhota que vocês acompanharam na infância está prestes a fazer 18 anos e há quase 2 sem usar a bomba de insulina por vontade própria! Ela está de volta às seringas, senhora e senhores!! Roots total!

No post anterior, 5 anos atrás quase, eu pedia para que vocês respondessem minha pesquisa para o TCC!

Pois eu me formei! Sou enfermeira e em 2017 comecei a trabalhar como Educadora em Diabetes, dando treinamento em bomba de insulina. Comecei como freelancer e em 2018 fui contratada! Realizei meu sonho!

Hoje, além de mãe de DM1, sou profissional da área da saúde e atuo com diabetes, que era tudo que eu queria! Posso ajudar as pessoas que convivem com diabetes a encontrarem seu melhor caminho, melhorarem rotina com diabetes, tratamento, números, comportamento e tantas outras coisas que envolvem essa convivência complexa!

E mais, voltei pra faculdade e estou cursando Nutrição!! Vejam só, a única coisa que parei foi de postar… o resto continua à milhão!

Estou de volta pra dizer que ando falando bastante sobre diabetes no Instagram, junto com coisas da minha vida, de emagrecimento, do mundo, de comportamento. Lá é um mix sobre mim. https://www.instagram.com/nicolelagonegro/

Nesse final de semana resolvi voltar a falar mais especificamente sobre diabetes, mas em outro formato. O FALADO. Criei um PodCast no Spotify (apenas, por enquanto) pra deixar sair tudo que penso, de forma mais espontânea. Sabemos que o textão agrada muito menos pessoas do que eu gostaria e um áudio pode funcionar bem enquanto estamos em nossos outros afazeres, coisas de casa, trânsito do dia a dia.

Espero que gostem! Aguardo vocês em algum desses canais! Saudade! Espero que todos estejam bem, dentro do possível, nesse momento tão diferente e novo das nossas vidas.


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Sobre a frequência de aplicação de insulina

No começo do tratamento da Vittoria, eu e minha mãe achavamos o máximo ela tomar insulina só de manhã e passar o dia na faixa do 70mg/dl. Até ela começar a variar de 50mg/dl pra 350mg/dl todo santo dia. Até ela passar dias na faixa dos 200mg/dl. E o pior, os médicos da época nada fazerem pra mudar isso.

Uma das coisas com relação ao tratamento de crianças diabéticas que causa confusão é: A TAL DA CONTAGEM DE CARBOIDRATOS e a quantidade de insulina e de aplicações por dia.

Os dois primeiros médicos que consultei, nem comentaram sobre o assunto. NADA. ZERO. Me mandaram tirar todo o açúcar da dieta da Vittoria. TODO O AÇUCAR, tá. Minha sorte, foi que na mesma semana, fiz uma entrevista com uma nutricionista da ADJ, que me explicou BEEEEM melhor a questão da alimentação. E eu confiei nela. Mais que nos médicos. Porque eu acho SIM, que uma instituição, cheia de voluntários, que não lucra nada, está muito mais preocupada com a sua saúde do que alguns médicos que cobram 500,00 a consulta.

Eu só fui fazer a contagem de carboidratos depois de 1 ano e 2 meses de diabetes. Demorei porque não estava com saco de anotar tudo e fazer continhas. Porque num momento da minha vida eu fiz uma dieta que tinha que anotar tudo e odiei. Então eu não ia fazer. Ah, tem que fazer conta e regra de três e pesar comida… Deus me livre, não vou fazer isso não. Deve ser um porre. E é. Mas é esse porre que me tranquiliza. Que me dá segurança durante o dia. Eu sei o que aquilo que a Vivi comeu vai fazer no corpo dela. E essa segurança eu nunca tinha tido. E agora não fico sem. Se eu pretendo que minha filha use a bomba de insulina, por exemplo, que é o tratamento mais atual, eu preciso estar com a contagem de carboidratos na ponta dos dedos.

A contagem não significa comer o que quiser por saber o quanto de insulina vou precisar. Se fizermos isso, nosso filhos ficarão obesos e sem saúde. A contagem ajuda muito, mas a educação alimentar também. Tem que comer o que precisa. Tem que comer direito. Tem que balancear os nutrientes. Tem que fazer acompanhamento com a nutricionista. Algumas matérias sobre o assunto da SBD: Sociedade Brasileira de Diabetes

Contagem de carboidratos no tratamento de crianças e adolescentes com diabetes

Uma das coisas que o médico me explicou inúmeras vezes (até eu aceitar) sobre as várias aplicações de insulina ao longo do dia foi o seguinte. O pâncreas de uma pessoa que não tem diabetes funciona da seguinte maneira: (fiz um gráfico, hein… não ficou lá essas coisas mas dá pra entender)

Bom… a linha verde é a insulina basal que o pâncreas produz. Ninguém, sem diabetes, tem ZERO de insulina no corpo. Sempre tem uma quantidade de insulina e de glucagon (oposto da insulina, glicose). Quando uma pessoa não diabética se alimenta, o pâncreas automaticamente libera um tanto de insulina pra aquela quantidade de comida que a pessoa ingeriu, isso é a linha vermelha. Então, no café da manhã, nós comemos e é liberado um tanto de insulina, assim como no almoço, jantar e entre as refeições, quando fazemos um lanche, o pâncreas libera um pouco de insulina também, sempre de acordo com a quantidade de comida.

O ideal no tratamento do diabetes seria reproduzir o processo normal de um pâncreas. Ao longo do dia, uma quantidade de insulina basal (verde) e mais quantidades de insulina nas refeições. É justamente por isso que a contagem de CHO é importante. É necessário que se façam varias aplicações pra simular o que acontece normalmente. É o que eu faço. Por isso muita gente estranha quando eu digo que às vezes ela toma 6 injeções. São elas: Duas de basal, de manhã e de noite eeeee… quando necessário, aplicação no café, almoço, lanche da tarde e jantar.

Essa conduta de várias aplicações diárias é também o recomendado pela Joslin Diabetes Center que é a clínica TOP dos Estados Unidos, filiada a escola de medicina de Harvard. Esse esquema é também o que a bomba de insulina faz, ela é programada pra liberar uma quantidade de insulina basal ao longo do dia, por exemplo, 0,3U de inulina a cada hora ou duas horas, e toda vez que a pessoa come, ela insere a quantidade de CHO na bomba que libera a quantidade de insulina necessária.

Simples assim. Você pode adiar a contagem o quanto quiser. Espere o melhor momento pra você, pro seu filho, mas eu sinto que mais cedo ou mais tarde, você vai ter que se render a ela. De forma adequada, claro. Não pra poder simplesmente comer mais doces e fast food, ok?


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Estrabismo X Diabetes

Uma coisa muito marcante que aconteceu com a Vivi pouco antes de diagnosticarmos o Diabetes, além dos sintomas básicos, foi o estrabismo.

De uma hora pra outra, seu olho esquerdo convergeu quase que completamente. Para pegar uma caneta, ou colher, ela precisava de 3 tentativas… as duas primeiras ela sempre pegava o ‘ar’, o ‘nada’  bem ao lado da caneta. Para enxergar melhor as coisas, ela fechava o olho esquerdo e também o coçava muito. ela chegada a se irritar ao precisar focar em algo e o olho simplesmente não deixava. Aí ela segurava o olhinho fechado com a mão e conseguia ver o que queria.

Pouco tempo depois de começar a fazer uso da insulina, o olho melhorou bastante. Fomos no oftalmo que não deu muita bola quando eu disse que achava que tinha sido pelo diabetes. O médico disse que com diabetes ou sem, ela desenvolveria. DUVIDO !!! Foi pedido um teste ortóptico depois de um mês usando o óculos que ele receitou. No teste, a médica disse que ela não tinha estrabismo. E foi confirmado que a alteração da glicemia por muito tempo, o açucar lá, livre, leve e solto, pode SIM ter causado fraqueza no músculo do olho.

Passou a usar tampão, às vezes pede o óculos por estar com dificuldade de enxergar, às vezes não usa por dizer que fica pior COM do que SEM o óculos.

Vai entender. O que eu percebo é que quando a glicemia está muito alta, o olho dá uma mudada… e pelo que a médica disse, isso vai ser sempre assim, por isso a necessidade de exercitar bem esses músculos oculares.