Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!

Como é a sua relação com a comida? Um desabafo e um incentivo!

3 Comentários

O diabetes vai bem, obrigada! Hoje não é sobre ele que vou falar, apesar de não ter como desvincular diabetes de alimentação. Vou aproveitar o alcance do blog pra falar sobre algo que tem passado pela minha cabeça com frequência e que acho bastante importante pra todos, não só os que convivem com diabetes!

Eu sempre tive uma relação muito complicada com comida. Lembro de crescer vendo e ouvindo minha mãe reclamar do seu corpo, do seu peso, fazendo dietas loucas e enchendo o armário de salgadinho e chocolate – pouco contraditório. Não tenho a lembrança de ter sido obrigada (cobrada, incentivada) a comer frutas, legumes e verduras… coisas que só passei a comer depois de engravidar e casar com um cara que cozinhava e me estimulava a comer essas coisas também. Tudo bem que engordei 30 quilos nessa gestação e na seguinte também porque, além de passar a comer essas coisas, comia muitas outras absolutamente nada nutritivas e super ‘engordativas’, afinal, estava livre da minha mãe pegando no meu pé, morando sozinha e me sentindo bem dona do meu nariz. A vida toda me preocupei com meu peso e meu corpo, mas nunca fiz nada – saudável –  pra que isso mudasse. Só me lamentava. Me comparava, ficava deprê achando que o mundo só gostava das magras e tinha um surto que me fazia procurar algo milagroso. Também fiz dietas loucas, sempre consegui emagrecer, fiz cirurgia plástica, mas aquele lance de mudar os hábitos, que estamos carecas de saber, nunca levei a sério e acabava engordando, ficando deprê de novo! A qualquer problema, me entupia de comida. Podia ser nervoso, ansiedade, tristeza, coração partido, qualquer coisa… a comida me confortava, eu engordava e o ciclo continuava. Fora todas as comemorações de qualquer coisa que acontecem em volta de uma mesa cheia de comida e porcarias com a desculpa de “Hoje pode pois é um dia especial”… quantos dias especiais num ano, hein!

Sentar à mesa pra comer sempre foi uma obrigação. Uma coisa imposta pelos meus pais e que eu detestava, queria poder escolher onde e com quem comer. Junto com a rebeldia da adolescência, tudo que eu TINHA que fazer, não queria.. e me alimentar direito e à mesa era uma delas… sentava com um bico enorme e comia qualquer coisinha só pra sair correndo dalí.  Fazer uma refeição nunca foi um prazer, já que aquilo que eu comia e gostava de comer e me dava prazer, me faria engordar e o que não me engordava, eu não gostava. Então eu estava sempre entre o arroz, bife e batata frita que transbordavam do meu prato, ou um prato de macarrão e um pedaço de chocolate de sobremesa e o jejum absoluto… ou eu me entupia do que me dava prazer, ou não comia nada. Os lanches eram os momentos agradáveis onde eu podia abusar das guloseimas, afinal, não eram as principais refeições. E assim foi a vida toda.

Em algum momento, minha mãe mudou a relação dela com a comida. Hoje é super antenada e preocupada com a saúde, está num peso ótimo e se alimentando de uma forma super saudável e praticando exercícios. Pra mim, ela estava se tornando ainda mais chata com mais motivos pra pegar no meu pé, fazendo das refeições um momento mais insuportável e cheio de cobrança. “Mas vc não vai comer salada? vc não tá comendo demais? só isso? tudo isso?” Pra quem já tinha dificuldade em sentar e comer com prazer, imagina como ficou mais fácil ainda fazer refeições.

Com o diabetes, essa coisa toda piorou na minha cabeça. Pra vocês terem uma ideia, antes mesmo de saber do que se tratava, a primeira coisa que passou pela mina cabeça foi: “MERDA, não vou poder mais comer doces… pelo menos não na frente dela” e aí comecei a comer escondido, compulsivamente. Eu sabia o que era o certo, sabia que precisava estimular as meninas a comerem direitinho, mas eu ainda resistia e muito. Cozinhar e comer pra mim era um saco. Nesse sentido, o diabetes, depois de um tempo, me ajudou a começar a olhar pra comida de forma diferente. Pego no pé delas, mas ainda tenho uma resistência e algo que me incomoda e essa coisa de “ter que ser exemplo” não ajuda em nada…. eu mostrava o que era legal, mas fazia o contrário ou fazia escondido o que não queria que elas vissem… podem imaginar a confusão na cabeça delas, né, já que nem sempre conseguia esconder. Ter voltado pra casa dos meus pais após o diagnóstico, nesse sentido da alimentação, foi muito bom. Minha mãe incentiva bastante as meninas a comerem coisas diferentes, a se interessarem por cozinhar, a fazerem escolhas mais saudáveis, o que me deixa muito mais tranquila.

Esse ano, de novo, cansei de ser gorda e comecei outra dieta louca em agosto. Acontece que dessa vez, um amigo quaaaase nutricionista e que conheci através do facebook por ele também ter diabetes tipo 1, se preocupou de verdade com essa minha atitude e, muito suavemente (sem aquela chatice toda de nutricionista, que eu seeeeempre odiei, quer dizer… pouquinho chato mas eu conseguia ver que, por ser um amigo, o interesse era verdadeiro) e principalmente nas primeiras semanas da dieta, me mostrou que as coisas não precisariam ser tão radicais. Me ofereceu alternativas e me mandou receitas que fariam com que eu me sentisse melhor  e conseguisse levar a dieta (adaptada e não tão louca assim) por mais tempo, alcançando meu objetivo, fora o ombro pra choramingar de vez em quando e o incentivo a me movimentar. Deu certo e ainda tá dando. Tô aqui 16kg mais leve (ainda faltam alguns), feliz, com direito a algumas enfiadas de pé na jaca, e devo muito a ele. Devo muito, não só por essas dicas, mas por nesses meses de convívio, ter tido a oportunidade de observar a forma com que ele se relaciona com a comida e sentir mudanças na minha relação com a mesma. Ele também curte doces e mete o pé na jaca de vez em quando, mas o jeito que ele prepara as refeições, o cuidado com os ingredientes, com o preparo e a forma como saboreia o que acabou de cozinhar, estão mudando muita coisa pra mim… de ter vontade de ir pra cozinha e preparar algo, procurar receitas, conhecer e experimentar coisas novas. Milagre! Só agora, depois dessa experiência, sinto que de fato, minha vida e meu jeito de encarar minha alimentação vai mudar e pra sempre. Ainda tem umas coisinhas enroscadas, mas estou disposta a mudá-las também!

E foi ele que compartilhou essa semana um texto em inglês que, pra muita gente pode parecer simples e óbvio, mas que pra maioria seria um incentivo e uma maneira de começar a mudar a forma com que se relacionam com a comida. Inclusive eu! E acho que só prestei atenção nesse texto, porque estou nesse momento diferente, se tivesse lido ano passado, por exemplo… teria feito um “Pfff… mais do mesmo”,  mas hoje não!! Tenho prestado atenção nas crianças ao meu redor e em como elas estão comendo e engordando e fico bastante preocupada com o futuro dessa galerinha . Além desse texto que traduzi pra vcs, deixo o link de um documentário sobre a alimentação das crianças aqui no Brasil que é de chorar. “Muito além do peso”. Vale a pena investir uma horinha e meia e refletir sobre o futuro que estamos construindo. As crianças comem o que nós oferecemos. Somos nós que compramos, nós que cozinhamos, nós que colocamos à mesa. “Ah, mas meu filho não come nada, meu filho não gosta de nada”.. e aí você corre e faz miojo com nuggets!!! Assiste aí e depois me conta!

Passado o desabafo, fica aqui o texto compartilhado por ele e que traduzi com muito carinho pra vocês. Que sirva de incentivo pra quem precisar! São coisas simples de se fazer mas que podem trazer um benefício incrível em vários aspectos da vida!

10 regras alimentares que as crianças francesas sabem mas a maioria das americanas, não! (Nem as brasileiras)

Por Rebeca Plantier – 14 de janeiro de 2014

MindBodyGreen – http://www.mindbodygreen.com/0-12268/10-eating-rules-french-children-know-but-most-americans-dont.html

A forma como os franceses se alimentam, envelhecem, se vestem e educam seus filhos e vivem, de maneira geral, têm sido assunto recorrente hoje em dia. Então, como uma mãe americana de três crianças franco-americanas, resolvi dar a minha contribuição nesse assunto.

Eu morei na França antes de me tornar mãe, mas, no final das contas, foram meus filhos quem me ensinaram tudo que eu precisava saber sobre me alimentar como uma pessoa francesa: Comer, me manter em forma e saudável não é apenas sobre o que você come, mas também como, quando e porquê. Sim, os franceses gostam de junk food de vez em quando e às vezes eles até comem entre as refeições, mas as pessoas não abusam todos os dias. Existe um código de conduta pra comida, para pessoas grandes e para as pequenas também. Aqui, em 10 lições de vida rápidas, está o que meus filhos me ensinaram sobre comida.

1.Coma, mas não o dia todo. Três refeições por dia, mais o lanche tradicional de depois da escola (‘gouter’ – em francês), ou um lanche que poderia ser um pão tipo croissant com gotas de chocolate (pain au chocolate), frutas ou purê de maçã (applesauce).

2.Coma comida de verdade e porções generosas. Fazer três refeições por dia sem ficar beliscando entre elas significa que você pode comer bem quando se sentar à mesa – e isso inclui uma entrada, o prato principal e sobremesa. As porções são generosas mas sem montanhas de comida que transbordam do prato. Um exemplo de cardápio do almoço de ontem:

Entrada: salada de lentilha
Prato principal: Frango assado com feijão verde
Sobremesa: iogurte de baunilha, fatias de maçã e laranja… e isso foi na cantina da escola pública.

3.Escolha água. De modo geral, os franceses não bebem suas calorias. Durante as refeições, água (com ou sem gás) é o que eles escolhem para beber. Adultos podem optar por uma ou duas taças de vinho, mas elas não são do tamanho de uma tigela.

4. Sente-se. É raro ver pessoas comendo enquanto andam ou fazem compras. Não existem porta-copos nos carrinhos de compras, nem mesmo na maioria dos carros. Você come à mesa, não em frente à TV ou à tela do computador, e então você sai da mesa e faz alguma outra coisa.

5.Faça refeições leves a noite. A hora do almoço é o evento principal. O jantar é geralmente mais leve: sopas, saladas, uma omelete, um simples prato de massa. A sobremesa pode ser um iogurte ou uma fruta. E você dorme muito melhor.

6.Quando a cozinha fecha, ela está FECHADA. Nada de beliscar após o jantar.

7.Saiba seu limite e então pare. Estabelecer horários para as refeições ajuda você a perceber quando você está realmente com fome ou satisfeito.

8.Saboreie sua comida, adivinhe os ingredientes. Os franceses não gostam apenas de comer comidas fabulosas e tomar vinhos incríveis, eles amam falar sobre isso. Conversar sobre o sabor de algo, seus ingredientes e como eles foram preparado amplia seu conhecimento. Eles aprendem sobre comida de verdade e de onde ela vem.

9.Cozinhe! Junto com um interesse pelos ingredientes vem um interesse no real processo de preparação da comida. Com um pouco de treinamento, minha filha de 2 anos descascou as maçãs que ela colheu com seus colegas de sala e fizeram alegremente uma torta juntos. As crianças amam ajudar a colocar vegetais frescos ou massa num pote ou fazer um bolo de chocolate desde o começo. Fazer parte desse processo amplia sua apreciação e constróis bons hábitos para a vida.

10.Comer bem não é um pecado, é um prazer! Comer uma ótima comida – independentemente do quão simples ou elaborada – é um dos maiores prazeres da vida, e não um sentimento de culpa sem fim. Especialmente quando feito com moderação. Certa vez, quando estávamos visitando uma família nos Estados Unidos, uma garçonete perguntou para meu marido francês se ele tinha “feito um bom trabalho naquilo”, se referindo ao prato de comida que ele havia comido. Sua resposta foi: “Comer é um prazer, mademoiselle, não trabalho”.

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3 pensamentos sobre “Como é a sua relação com a comida? Um desabafo e um incentivo!

  1. Muito bom Nic… posso compartilhar tua tradução?

  2. Muito boa sua reflexão e eu devo admitir que tbm tinha uma relação intensa com a comida… Minha mãe sempre incentivou a comer verduras, legumes, mas era o doce meu pecado, principalmente pq minha família manda muito bem na confeitaria… Quando descobri o diabetes, ha 3 meses, esse foi meu maior problema e, foi ai que comecei a realmente prestar atenção a alimentação e os efeitos que ela tem… Como diz minha nutricionista, vc controla o alimento, nao o contrario!
    Aproveito e gostaria de compartilhar seu post em meu blog.

  3. Muito bom o texto! É bem por aí mesmo… Entender o que é comer e como comer… E ser feliz! Aliás, parabéns pela mudança, você está linda! 🙂

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