Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!

Diagnóstico na Adolescência

17 Comentários

É com prazer que eu, Bruno Pereira, começo esse meu primeiro texto oficialmente como colaborador do blog Minha Filha Diabética. O tema é diagnóstico e eu vou contar um pouco a história do meu pra vocês.

Julho de 2006. 15 anos de idade. Passando férias escolares na casa da minha avó. Todos os dias pela noite eu ia à geladeira e buscava uma garrafa de água e levava pra perto da minha cama pra ir tomando durante a noite. Sendo que eu nunca fui de tomar muita água (não é muito saudável isso que eu disse, mas tudo bem).  Aproveito pra lembrar que a sede intensa (obviamente, acompanhada da urina constante) é um dos principais sintomas do diabetes, mas na época eu nem pensava em diabetes e seguia assim.

Foram-se as três semanas de férias e eu fui pra casa pra voltar ao colégio. Mas me sentia muito mal, muito cansado, disse pra minha mãe que não queria ir e não fui. Mas nesse dia eu até que estava razoavelmente bem comparado com o dia seguinte. Naquela terça-feira eu nem se quer tinha vontade de sair da cama. Na quarta-feira minha mãe tomou uma decisão. Já conhecedora do diabetes, pois minha irmã já tinha diabetes há cerca de dois anos, ela decidiu medir minha glicemia: cerca de 500 mg/dl.  Minha mãe custou a acreditar: “Deve estar errado”. Fizemos o teste outra vez e novamente um valor alto. Eu que já não me sentia nada bem fiquei ainda mais desanimado deitado no sofá da sala. Minha mãe avisou meu pai que já havia ido trabalhar e ele voltou pra casa pra me levar ao hospital. Eu seguia calado, não sabia o que pensar. Enquanto isso no carro em direção ao hospital, meus pais custavam a acreditar que eu tivesse diabetes. Falavam sobre possível infecção, várias hipóteses eram faladas.

Chegamos ao hospital, rapidamente fui dirigido ao exame de sangue, foi confirmada a glicemia alta (nesse momento estava um pouco mais baixa, cerca de 300mg/dl, mas igualmente glicemia bem elevada). Um tempo depois fui colocado na ambulância.  Para quem tinha medo até mesmo de agulha, eu não esperava estar numa ambulância aos meus 15 anos.  Chegamos ao hospital em que eu seria internado, mas nos esperava uma surpresa. O que não sabíamos é que o meu pedido de internação era pra UTI, ou seja, mesmo eu sendo menor minha mãe foi comunicada de que não poderia me acompanhar. Foi um momento muito triste ver que a minha mãe queria me acompanhar e ao chegar numa porta, falaram pra ela que desde aí não poderia seguir. Alguns minutos depois eu já estava com soro em um braço, soro no outro e fios conectados ao meu peito. Depois deixaram que a minha mãe entrasse para me ver, mas por ser tratar de UTI, não pôde ficar.  E ali estava eu, numa UTI, preso por várias coisas, perto de pessoas em estado terminal. Não sabia o que pensar, mas tentava manter a tranquilidade. E me parece que isso ajudou, não deu muito trabalho para colocar minha glicemia em padrões um pouco mais aceitáveis e dois dias eu sai da UTI e fui mandado para um quarto.

Ali eu já estava bem mais tranqüilo. Familiares podiam ficar lá comigo. Eu assistia TV, conversava com a minha avó e no domingo pela manhã me deram alta. Depois que voltei pra casa, não foi fácil o desafio de controlar o diabetes. O meu psicológico estava bem abalado. Apesar da vontade de controlar, não era difícil eu perder a paciência e me incomodar com a doença. Isso só mudou depois que participei de um acampamento de diabetes, conheci pessoas que controlavam o diabetes vivendo uma vida normal. Foi a partir daí que passei a encarar bem a doença. O diagnóstico não costuma ser fácil pra ninguém, ainda mais na idade que eu tinha. Ter apoio e exemplos de como controlar a doença naturalmente são primordiais! Em breve, volto com mais histórias pra vocês.

Até a próxima e um abraço,
Bruno Pereira

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17 pensamentos sobre “Diagnóstico na Adolescência

  1. Bruno conheço vc , mas não sabia da sua história, foi muito parecida com a do meu filho! Nicole achei muito legal essa parceria com o Bruno com certeza quem sai ganhando somos nós!

  2. Não houve o estagio da negação?

    • Negar ter diabetes não. Eu sabia que seria pior se fizesse isso. Mas perdia a paciência facilmente com as variações de glicemia depois do diagnóstico.

  3. Bruno e Nicole , acompanho o blog desde que meu namorado foi diagnosticado : ou seja a 2 meses atrás e que mais intriga DIABETES tipo I aos 26 anos !!
    Francine Lyrio

    • Oi Francine! Que bom que vc também está empenhada nessa caminhada junto com seu namorado! Esse apoio é muito legal.
      Não se espante com a idade dele para o diabetes tipo 1! É mais normal do que vc imagina!

      • acabei descobrindo isso ! Nossa vida mudou e as pessoas se espantam quando que digo que foi pra melhor ! Aqui onde eu moro em Vítória ES não tem uma associação de apoio , você consegue acreditar nisso? fui atrás e não tem , o que consegui foi entrar em um ambulatório de endocrino de um Hospital Escola , como sou educadora física , estou lá pra conscientizar dos benefícios do exercicio !

      • Que legal! É isso
        aí! Tá no caminho certo!!!
        Se tiver interesse em Educação em Diabetes, tem um curso que a ADJ aqui de SP dá, em vários lugares do país, de repente vc acha um mais fácil de vc ir, acompanhe nesse site http://www.educandoeducadores.com.br/

  4. Vou pra São Paulo no dia 30 de julhoo !! deixei uma mensagem no face ! bjOOO

  5. olha minha história, a dois meses no dia 6 de maio foi um dos piores dias da minha vida, qdo os mesmos sintomas, sede excessiva , emagecimento e muito xixi que minha pequena de 5 anos foi diagnosticada que estava com diabetes.Ela chegou com a glicemia de 970mg, e ficou 8 dias na uti, e eu fiquei junto pois era uti neo, agora graças a Deus ela está bem só que eu ainda estou abalada mas estou fazendo de tudo para que ela tenha uma vida ótima.E eu preciso de apoio emocional e vendo estes depo me conforta .Gostei muito de teu blog, obrigada.

  6. oi bruno, estou contente em saber como pensa uma pessoa c DM 1 , eu sou a mãe de um rapaz c 20 anos , diagnosticado desde os 7 anos , agora esta numa dificil fase ( acho eu ) se tornando um adulto c diabetes , com algumas limitações , mas com uma alegria e um desejo enorme de viver intensamente a cada minuto, oque me deixa receosa e preocupada , eu apoio sempre em suas atitudes , mas acho ele meio desligado e ausente as vezes , causa disso ja foi muitas vezes roubado e perde as coisas facilmente como celular , oculos , chaves . ele ja mora sozinho , trabalha e estuda , ja não depende financeiramente de ninguem , quero dizer q ele é um bom menino , esforçado , inteligente e muito carinhoso c a familia , mas me preocupa que ele se tornou muito HIPERATIVO depois dos 16 anos , quer fazer tudo , estar sempre em alguma atividade , em movimento , em grupos de amigos , festas e ainda pratica rugbi e baseball na faculdade , imagina como deve ser dificil conciliar tudo isso , trabalhando de dia e estudando a noite , será isso um tipo de NEGAÇÃO ? para não ter tempo de lembrar da dor , das consequencias ? vc pode me ajudar , falando de como vc se sente ? obrigada desde já !

    • Olá, Cristina. Primeiramente, é um prazer saber que gostou do texto e receber um comentário seu aqui. É um tanto complicado dizer se o fato de ele fazer várias atividades possa ter a ver com alguma negação principalmente por ele ser uma pessoa alegre. Estar envolvido em atividades é bom em diversas fases da vida, pois todos gostamos de ter amigos para conversar e também sempre buscamos realizar os nossos sonhos que no caso dele pode ser o estudo enquanto trabalha. A pessoa que tem diabetes deve procurar realizar suas atividades normalmente enquanto controla a doença afinal ninguém é apenas diabético, também somos trabalhadores, estudantes e tudo mais. Não precisa colocar empecilhos nas atividades. Eu mesmo nos últimos anos tenho procurado fazer muita coisa que acho interessante pra mim. O jovem tem muita energia! Mas se achar que ele ta buscando fugir da doença, falar com um psicólogo da área do diabetes é uma boa opção. Aparentemente ele está vivendo uma ótima vida, mas se um dia achar que ele precisa de uma atenção com psicólogo, não deixe de nos procurar aqui no blog que podemos dar boas indicações!

  7. Pingback: A importância do acampamento de diabetes « Minha Filha Diabética

  8. ola Bruno,
    me chamo Ana tenho atualmente 12 anos. Descobri o diabetes tipo 1 no dia 28 de agosto de 2011 ( to quase completando 1 ano com as picadinha e injeções). Meu diagnostico foi meio punk ( kkkkk). Em Agosto do ano passado os probleminhas começaram… Era gordinha e me sentia diferente das minhas amigas ( nada do tipo regime… mas queria ser igual a elas). E uma das minhas amigas comentou que: quanto mais aguá bebemos, menos fome temos e dessa forma perdemos peso! Pensei UAUU tai uma boa forma de emagrecer mas não passava pela minha mente o problema que enfrentaria… Comecei a beber muita aguá, no começo com a intenção de regime mas depois de um tempo, realmente sentia MUITA sede bebia em torno de 6 garrafas de aguá por dia. A vontade de fazer xixi era enorme e quase toda hora. Até ai minha família não via problema… mas parava de comer não sentia fome, não comia quase nada e emagrecia de forma absurda ( perdi em torno de 8 quilos…) .
    Eu faço patinação artística e sou atleta federada e tinha uma competição chegando em setembro. Os treinos eram pesados e em vez de melhorar meus exercícios eu piorava pois nao tinha forças, sentia falta de vontade, cansaço e falta de ar apos completar os saltos. Minha tecnica percebera que nao estva bem, me fez tirar os pantis e me levou para comer algo. Telefonou para minha mãe, que no mesmo dia marcou consulta com pediatra. Ela me fez milhões de perguntas, suspeitavam de diabetes, tiroide e anorexia. Meus pais nao se conformavam! Anorexia? Tiroide? Diabetes?. A pediatra pediu exames ( MUITOS EXAMES). Com medo de ser anorexia minha mãe um dia antes do exame pensou: “vou dar comida pra essa menina” e me preparou bife a milanesa ( não comi) então meu pai apelou para o sorvete. Comemos um pote inteirinho de sorvete. Na manhã seguinte fui fazer os exames ( em jejum). Fiz os exames e fui para a escola. Minha pediatra e meus pais aguardavam os resultado. Apos a divulgação de glicemia de 867, todos ficaram perplexos. A pediatra ligou pra minha mãe e perguntou: “onde você esta?’ . Minha mãe estava MUITO LONGE da minha escola por que trabalha perto do centro. Precisavam me buscar o mais rápido possível e me levar para o hospital. Meu pai também estava longe. O problema foi resolvido com minha pediatra mesmo, foi ela que me buscou na escola e me eternou no hospital. Mas ninguém me contava nada do que estava acontecendo e eu simplesmente nao suspeitava do que estava me acontecendo ate que umas das enfermeiras comentou “ela esta com diabetes” e meu mundo desabou. Quando meus pais chegaram perguntava o que iria acontecer comigo. Me internaram em UTI, e a cada uma hora me picavam o dedinho. no segundo dia o medico especialista o endócrino Luis Calliari tirou as pedras dos meus ombros e dos ombros dos meus pais. fiquei no hospital durante uma semana e la aprendi a fazer todas as contas de carboidratos, de como aplicar direitinho a insulina e de como furar meu dedo ( kkkkk). Meus pais também aprenderam, e foi engraçado pois minha mãe nao gosta de agulhas mas ela tinha que aprender como aplicar, afinal agora tenho que levar injeções todos os dias ( kkkkkkk).
    E foi uma historia de superação, pois lembra que eu disse que teria uma competição de patinação em setembro ( 25/9)? Pois é depois de sair do hospital não podia realizar exercícios físicos pois estava muito denutrida ainda… fiquei quase 20 dias sem treinar… Na semana da competição voltei a treinar e me saia muito bem, queria competir de qualquer jeito! Essa seria minha PRIMEIRA competição de patinação e realmente participei. E houve uma historia muito especial pra mim fiquei em 4 lugar na competição. E essa foi a minha historia com o diabetes.
    Hoje em dia minha glicema eh muito controlada fica sempre entre 80 e 90 e quando sobe um pouquinho ( tpo 150) nao considero uma glicemia normal. Nao me considero diabetica, me considero uma pessoa normal! E o diabetes “veio pra mim”de uma forma, se parar pra pensar, boa pois emagreci e, me sinto igual as meninas da minha sala, e hoje faço o regime como qualquer outro diabetico ( coisas integrais, refrigerante somente light, frutas e dia sim dia nao uma delicioso DOCE!) Meus exames de glicemia são melhores que o do meu pai ( kkkkkkk )
    Bom adoro conhecer historias igual a minha e a sua tambem foi punk hein? kkkkk
    bjos

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