Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!

[Mães em Ação] Nosso diagnóstico e a ‘culpa’

10 Comentários

Coluna: Mães em Ação – Portal De Bem com a Vida

06/07/2012

vittoria3

20 de outubro de 2008, 1 mês e 20 dias após minha separação, num exame de glicemia de jejum, confirmamos o que todos já imaginavam que seria. Diabetes tipo 1. Já imaginávamos pois o exame clínico mais os sintomas já deixavam bem claro o que tínhamos a nossa frente. Irritação, aumento absurdo de apetite e de sede, perda de peso, cansaço, dores de barriga, idas ao banheiro intermináveis que em uma semana passaram de uma vez por noite pra 5, 6 vezes POR NOITE, era diabetes tipo 1.

Eu, que não entendia nada de diabetes, não sofri. Imaginei que ela teria apenas que tomar alguns remédios e cortar os doces. Fiquei chateada pela parte dos doces, na verdade. Formiga do jeito que sou, essa seria a pior parte. Doce ilusão. Tivemos muita sorte pelo fato do meu pai ser médico e de não precisarmos passar pela cruel experiência de saber por um médico de plantão, sem paciência, que a Vittoria teria diabetes para o resto de sua vida e que teria que tomar múltiplas injeções diariamente. Isso não é nada fácil de ouvir nem do seu pai no conforto de sua casa.

Muitas “fichas” só foram “caindo” ao longo da convivência. Talvez pela minha própria natureza de não achar que as coisas são realmente do tamanho que nos apresentam. As coisas tem o tamanho que queremos que elas tenham. Primeira medição de glicemia, primeira aplicação de insulina foram feitas em casa por mim. Isso, acho que trouxe um baita conforto pra todos. Ambiente hospitalar não é o mais legal pra esse tipo de coisa, cheio de gente estranha, sons e luzes diferentes do que estamos acostumados, mas infelizmente é onde a maioria das pessoas tem seu diagnóstico e passam a saber um pouco mais sobre o diabetes. Da pior forma que poderia ser.

Enfim, após as glicemias verificadas e as doses de insulinas aplicadas, começaram a surgir as perguntas e comentários, que na época eu achava bem maldosos, hoje vejo que a desinformação é que traz esses questionamentos descabidos: “Quem na família tem diabetes?”, “Isso é emocional, foi por causa da sua separação.”, “Mas que tipo de coisas vocês comiam, ela é tão magrinha pra ter diabetes”, “Volte com seu ex-marido, assim ela melhora”, “Da minha família não foi, só pode ter sido da sua”.

nosMães já são seres que se sentem culpados por natureza e depois de um diagnóstico de uma doença crônica, ouvir esse tipo de pergunta só piora tudo. O que vai ajudar- e que me ajudou também- a não se sentir mais culpado ainda é entender o que é o diabetes tipo 1, de onde ele vem, como ele acontece. Dessa forma, você vai ver que a culpa não é sua. Nem da sua família, nem da sua alimentação, nem da sua decisão de se separar do seu marido, ou de não ter tido leite pra amamentar seu filho até os dois anos de idade, nem de ter dado todas as vacinas que deu. O diabetes vai acontecer, mais cedo ou mais tarde, por ser uma combinação genética da criança, essa combinação nasceu com ela. E você tem algum poder sobre a combinação genética? NÃO!!! Você teria como prevenir o diabetes tipo 1 com alimentação? NÃO !!! Não existe NADA que possamos fazer – ou no meu caso, poderia ter feito – pra evitar que nossos filhos se tornem diabéticos… O stress da separação pode ter dado o ‘start’ ? Sim…. mas se não tivesse sido isso, seria qualquer outra coisa! Existem coisas que não conseguiremos explicar… assim como algumas hiperglicemias ou hipoglicemias. São coisas do corpo. Elas acontecem sem necessariamente um porquê, e tentar explicá-las ou descobrir a razão de tudo, pode causar um desgaste desnecessário, principalmente nos primeiros meses após o diagnóstico. O que nós podemos fazer é cuidar pra não nos afundarmos na culpa. NÃO EXISTEM CULPADOS. Mantenha-se informado, informe quem está ao seu lado e tenha uma convivência saudável com o Diabetes!

Anúncios

10 pensamentos sobre “[Mães em Ação] Nosso diagnóstico e a ‘culpa’

  1. Lindo depoimento! Quem dera ter lido ele há dois anos e 8 meses atrás. É bem por aí… Beijosss

  2. nicole parecia eu escrevendo , a diabetes do kawe tambem se deu alguns meses depois da minha separação , e no começo tbem senti q não ia ser nada demais , mas na primeira pícada , eu me desmoronei , e a cada dia q passa desde o primeiro dia do diagnostico, vai caindo um pedacinho de mim, ja estou em frangalhos , não suportando a dor e a culpa , por mais q eu tente pensar q não , a culpa me corroe feito acido no meu peito , desculpa o pessimismo , mas é inevitavel , hj eu me encho de remedio p dormir , p não entrar em depressão e fico vendo minha vida passar como numa tela de cinema , gosto de te ver tão otimista e positiva , queria ser assim , mas não da mais.

    • Eu queria ter o que te dizer pra que vc não se sentisse assim. Mas não depende mais do que os outros falem. Depende de você. Até quando você vai querer sofrer?

      Busque ajuda. Procure uma associação, se não na sua cidade, em alguma próxima. Mesmo que seu filho não te acompanhe, busque paz pro SEU coração. Sua vida tá passando … e já já vai ser tarde de mais! Nâo se deixe vencer, mulher. Podia ter sido algo muito pior e foi apenas diabetes….

      Não há culpados…. lembre-se do texto. Hoje digo isso livre te toda culpa que já senti na minha vida. Me culpo por outras tantas coisas mas não mais por essa.

  3. Nicole, a única doença que as mães podem evitar, digo como profissional da área, chama-se cárie dentária……..mas mãe é um ser de outro mundo mesmo!!A gente quer virar uma leoa e proteger de tudo, mas a parte que vc diz que o corpo reage de forma que não podemos explicar…é a pura verdade…tem uma semana que a Marília está assim……já entrei em contato com o endócrino…….acho que a lua de mel está acabando……mas meu otimismo não acabará…….consegui controlar até aqui e não medirei esforços para continuar buscando o controle sempre, das glicemias e da vida feliz!
    beijos!
    Kellen Azevedo

  4. Também me separei, mas isso não ocasionou a Diabetes, a Diabetes da minha filha veio junto com a adolescência alguns anos depois, portanto eu acho que não é a separação ou outro fator que desencadeou, eu havia feito exames completos em Fevereiro, tudo normal, até a glicemia, e alguns meses depois ela começou com os sintomas, eu pensei que fosse hormonal, levei a ginecologista nem ela desconfiou, mas pediu mais exames, isso foi em Outubro e já fazia uns dois meses que minha filha apresentava sintomas da diabete que vocês já conhecem, com o agravamento da queda de cabelo que foi absurda, ela perdeu bem mais da metade dos cabelos. Dizem que um vírus qualquer pode desencadear, e ela teve uma gripe forte um pouco antes, talvez? Quem sabe? Mas eu tenho fé na cura, eu acredito com todas as minhas forças, hoje pela manhã foi muito difícil pra ela aplicar insulina, ela tem fobia da agulha, e nós discutimos sobre a cura, ela não acredita, e as vezes nos desentendemos muito por isso. Adolescência é difícil, adolescente diabético é muito difícil…Beijos a todos, compartilhamos a mesma “dor”, mas acho que se deveria investir mais na cura do que em canetas sem agulha ou em insulina mais potente, e já teríamos descoberto a cura dessa doença.

    • Essa questão da cura é muito complicada de ser discutida, né.
      É tipo religião e política, cada um tem sua opinião.
      Eu, não acredito nela nem acho que seja a saída.
      O ideal mesmo seria aceitar… independente de cura ou de insulina mais eficaz.
      Espero que sua filha passe logo dessa fase e se cuide direitinho.
      Beijos pra vcs!

      • A cura é a unica saída, não existe nenhuma outra saída para qualquer doença, enquanto isso, vamos tratando da melhor maneira possível. Amamentei minha filha até 2 anos e meio, durante todo esse tempo ela teve gripe uma vez, em dois anos e meio, uma gripe, só isso e mais nada. Com três anos minha filha passou a ser Asmática ( A família toda do meu marido é asmática), não era bronquite ou chiadinho no peito, ela era internada com os pés já roxos, sem conseguir respirar, a médica me disse que Asma não tem cura, que é uma doença crônica, foi assim por 6 anos. Hoje ela não tem mais nada. Asma não tem cura? Diabete não tem cura, hoje, amanhã eu tenho certeza, terá cura. Enquanto isso, vamos fazer o que uma mãe faz, sofrer mais do que nossos filhos, mesmo isso não resolvendo o problema. bjs…

      • Bom… eu não acredito na cura do diabetes por inúmeros fatores!
        Não espero por ela, nem acho que ela faria tanta diferença na minha vida!!
        Caso ela chegue, tenho muitas dúvidas de que ela ajude quem já tem diabetes há mtos anos…
        Então é curtir a tecnologia mesmo e tentar viver da melhor maneira possível e com os pés no chão!!!
        Obrigada pela sua opinião!!! =)

  5. Nicole mais uma vez parabéns pela coluna mães em ação!Adorei o que vc escreveu!grande beijo!!!!Beijo pras meninas!!! 🙂
    http://www.aminhadocemarcela.blogspot.com.br

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s