Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!

Depois do acampamento!

4 Comentários

No dia que as crianças voltam, uma hora e meia antes, temos uma reunião com os médicos que acompanharam nossos filhos lá. Os grupos foram separados por quarto, a médica da Vivi deu uma geral de todas as meninas depois falou individulamente com cada mãe!

Disse que a Vivi ficou bem, chorou no primeiro ou segundo dia de saudade, mas a psicóloga fez um passeio com ela, conversou, contou histórias e ela conseguiu lidar com a saudade. Depois perguntei em que horas ela sentia mais saudade e ela disse que era quando tocava as músicas que nós ouvíamos juntas no carro ou dançavamos em casa! Aaahhhh o coração fica apertadinho nessas horas, mas é bom pra eles entenderem que faz parte sentir saudade e ficar longe por uns dias. Todos passam por isso e ninguém nunca morreu de saudade! (nesses casos)

Quase não foram feitas alterações nas doses e ela teve glicemias muito boas e um recurso muito utilizado foi o evento: SAÚDE da bomba, onde vc seleciona entre stress, doença, atividade física… sempre num bolus antes de atividade física, eles selecionavam o evento “exercício” que automaticamente dava um desconto na quantidade de insulina, justamente por estar em atividade física o tempo todo!

Ela voltou feliz e disse que quer voltar. O que confirma que ela curtiu o período lá apesar da saudade. Essa semana, enquanto fazia a tarefa de casa disse: “Que saudade do acampamento”. Só posso concluir coisas boas com esse comentário.

A médica entrega uma cartinha pra nós, com comentários médicos e alterações de doses e uma cartinha mais detalhada pra entregarmos pro médico que acompanha as crianças. Na mala, veio uma orientação nutricional, junto com uma apostilinha de quantidade de carboidratos. Todos no acampamento fazem contagem de carboidratos!

Veja o que foi prescrito pra Vivi pela nutricionista durante a temporada:

Normalmente a Vi não consegue comer 50g de cho nas refeições. É bem difícil. Talvez pelas atividades físicas lá, ela até sentisse mais fome, mas acho que não chegava a 50. Nos lanches, ela acaba comendo em torno de 40g de cho e nas refeições 20… No lanche normalmente tem um suco, fruta, bolacha, e aí acho que acaba tendo mais cho. No almoço preferimos água mesmo e uma fruta de sobremesa, por isso não chega a tanto

Antes, as mães que já tinham levado seus filhos disseram que ela voltaria outra criança com relação ao diabetes, mas eu não notei diferença na Vivi. Ela sempre foi muito interessada no assunto, participativa, conhece o tratamento, conhece a contagem, a importancia da alimentação, das medições regulares…. mas, ela tem uma natureza bem desencanada, bem de criança mesmo, o que eu acho ótimo e realmente, o diabetes não é uma preocupação na vida dela. E com 8 anos eu acho que não deve ser mesmo. Ela conhece todos os termos, todos os procedimentos e consegue fazer todos sozinha. Mas ela ainda precisa ser lembrada de que tem diabetes e precisa medir glicemia em todas as refeições. EU AMEI SABER DISSO!!! Sabe por que? Não acho natural uma criança pequena já ter essas responsabilidades. De verdade. Responsabilidade de lembrar, metodicamente, em todas as refeições, que precisa medir a glicemia…. Principalmente as menores, 4, 5 anos. Acho que eles precisam e muito das mães. Eles tem sim que saber do que se trata e ter consciência, mas eles são crianças acima de tudo, e nós, certamente, não tínhamos esse tipo de responsabilidade. Eles tem que ter preocupações de crianças…. Vai chegar o momento onde poderemos cobrar dele uma maior responsabilidade com relação ao diabetes… Nâo é a toa que o acampamento é pra crianças a partir de 9 anos !!! Não dá pra exigir mais do que uma criança é capaz de dar, levando em consideração sua idade e maturidade. Sim, podemos treiná-los, condicioná-los, mas será isso extremamente necessário antes dos 8, 9 anos???

Parece estranho pra quem prega tanto que a autonomia da criança é muito importante. Mas o que eu tô tentando explicar aqui é que o diabetes se tornou algo tão natural na nossa vida, que não tem mais muito stress, dá pra viver como se não tivesse… e que eu respeito o momento da minha filha de ser criança e não ter ainda certas responsabilidades que a acompanharão pro resto de sua vida… conseguiram entender???

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4 pensamentos sobre “Depois do acampamento!

  1. Nic,
    Perfeita essas suas colocações do final do texto… Estava pensando até em escrever sobre isso pois era uma coisa que estava me incomodando: A independência da Júlia…
    Acho legal uma criança de 5 anos fazer o dextro sozinha e saber usar a bomba de insulina, como desde sempre fiz questão de ensinar a nossa Jujuba…. Mas definitivamente não acho legal que isso seja de sua responsabilidade, nem que seja por um dia ou até na escola!!!
    Também não quero atrapalhar “momento da minha filha de ser criança e não ter ainda certas responsabilidades que a acompanharão pro resto de sua vida…”
    Tudo a seu tempo!!!!!
    Muito bom ver um pensamento sobre isso parecido com o meu!!! Aquietou meu coração….
    Beijos nas 3!!!!

  2. Acho que serei bem criticada quanto a isso.
    Mas tem me dado aflição algumas situações que tenho tido conhecimento. Crianças prodígio.
    Eu entendo, e assim como eu, muita gente não tem apoio de famíliares, amigos e pessoas na escola, e realmente precisa passar um pouco da bola pra criança, sabe… Mas isso tem que ser feito com muito cuidado.
    Cheguei a essas conclusões depois da reunião ontem na escola, e a professora acalmando os pais e até chamando a atenção deles por eles exigirem mais do que seus filhos podem “produzir” pra idade e maturidade que eles tem.
    Acho que nós pais, acabamos por nos afobar, em querer que nossos filhos se deem bem em tudo que fazem, que acabamos desrespeitando suas fases naturais de desenvolvimento, ao exigir algo que eles nãoe stão prontos pra dar… e o que essa exigência pode trazer no futuro.
    Hoje a criança aceita e faz o que a mãe manda e não reclama. Mas não sabemos de fato como isso tá sendo processado na cabecinha dela e o que pode gerar mais pra frente.

    Se eu não falar pra Vittoria medir a glicemia, ela não vai medir. Vai sentar à mesa e se alimentar e talvez lembre de insulina um tempo depois. Então ela senta e eu digo: Glicemia. Só. É um comando com uma palavra. Ela faz a refeição e eu digo: 35 E ela coloca na bomba. Essa é a responsabilidade dela. Apenas manusear o aparelho. O resto ainda acho que seja minha responsabilidade apesar de às vezes ficar com o saco bem cheio.
    DEvo estar na TPM! hahahaha muitas reflexões pra essa hora da manhã!

  3. Nic,

    Vc me fez pensar com essas colocações, o João faz o dextro sozinho desde os primeiros dias, qdo estou junto com ele no horário de almoço as vezes preciso lembrá-lo, mas na maioria das vezes ele mesmo lembra de fazer.
    Encara o diabetes numa boa, aliás incorporou em sua vida de uma maneira bem natural, mas ele tem sim já algumas responsabilidades.
    Aconteceu um fato ontem na Escola, que só vim saber agora pouco, o João junto com outro amiguinho, na fila pra entrar na classe depois do lanche começou uma brincadeira de lutinha com outro amiguinho porque não quis brincar com eles. A Coordenadora conversou com os três e detalhe não foi a primeira vez, só que o João nunca tinha feito isso antes, ainda não conversei com ele, vou fazer isso quando chegar em casa.
    Estou pensando agora será que isso aconteceu num impulso de brincadeira, talvez até pela idade (afinal é menino e as vezes eles tem disso) ou pode ter lá no fundo alguma relação com o diabetes?
    Ele sempre encarou tudo tão bem, nunca reclamou de nada a única mudança que notei desde que começou as aulas é que ele anda um pouco mais distraído com relação aos estudos e quando chamo a atenção dele por algo fica um pouco manhoso, mas como ele sempre foi meio desligado, não achei que fosse por causa do DM.
    Mas agora que aconteceu esse fato, estou achando que tem algo errado por ai, será que é o momento de encaminhá-lo para uma psicóloga, por que até então não tínhamos essa necessidade.
    Já deu pra perceber que estou meio perdida neh…

  4. Sil, sei que é difícil pensar em todas essas coisas, mas toda cuidado por que a gente acaba colocando a culta de tudo no diabetes…
    Se não come direito, se o dente fica mole antes do tempo, se volta a fazer xixi na calcinha, tudo que acontece de diferente com a criança, acabamos achando que é o diabetes.
    Temos que ter clareza e até frieza pra analisar isso tudo e perceber se é algo dele, da idade, ou se realmente pode ter a ver com diabetes,
    Eu sou super a favor de terapia, porém, sou contra colocar a criança sozinha com um psicólogo. Pra mim ficou sempre tão claro que o diabetes é algo da família, que não vejo pq ele fazer sozinho. Vc é atingida pelo diabetes, ele, seu marido e seu outro filho. Legal além de fazer ele falar sobre o assunto, seria ele ouvir vc e o pai falando sobre o assunto, e como vcs encaram tudo isso… Não é??

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