Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!

A1C 8%

9 Comentários

Eu não sei mais o que fazer.

Não faço outra coisa da minha vida a não ser cuidar de diabetes. Não trabalho, não saio, não namoro, praticamente vivo em função dessa doencinha pentelha.

E pra que?! Eu furo minha filha nos dedos até 10 vezes por dia e com injeções até 6 vezes por dia…. e?

Anoto TUDO que ela come. Todas as migalhas que ela coloca na boca. E ??  Nada adianta.

Como EU mesma postei aqui os valores ideais de A1C de acordo com a idade, e pra ela até 8% tá bom, fico menos apreensiva. Mas pra quem já teve um 7,5, ir pro 8,2 e depois 8, não é legal. Fica a sensação de ‘poderia ter feito melhor’, ou ‘onde foi que eu errei’ ….. Porém… me penso também, se eu consegui um 7,5%, sinal de que ERRADO eu não tô fazendo, ou não teria conseguido isso.

Ou… NADA DE COISA NENHUMA DEPENDE EXCLUSIVAMENTE DE MIM. E aí sim, eu consigo relevar um pouco. Mas é pouco. E eu tô cansada.

Mamães, curtam seus períodos de Lua-de-Mel. Curtam mesmo. Porque é como casamento…. depois dela, os problemas começam.

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9 pensamentos sobre “A1C 8%

  1. Fico aqui pensando… se já é difícl para a gente que tem diabetes conseguir controlar esta tal A1C, imagina para uma mãe… e acho que tens controlado bem Nicole… não temos como controlar estados emocionais dos nossos filhos, ou mesmo, alguma infecção , algo que altere a glicemia sem que tenhamos que fazer nada. Sei que é um saco e que irrita mesmo quando isso acontece. Imagino como deves te sentir, mas saiba que vc faz teu melhor sim, e isso que importa! Beijos grandes

  2. Nicole,

    do lado de cá, gostaria muito de que lhe bastasse a constatação de que você está fazendo tudo o que está ao seu alcance.

    Embora eu não faça tantos comentários no seu blog, acompanho-o sempre, feliz por reconhecer em você tanta dedicação e busca constante pelo conhecimento a respeito de como facilitar a vida da sua pequena.

    Hoje leio o seu desabafo e sinto um certo pesar. Não há uma relação direta, mas ocorre-me, de imediato, aquela oração que ficou conhecida entre as reuniões dos alcoólicos anônimos, na parte que diz mais ou menos assim: “conceda-nos sabedoria para aceitar o que não podemos mudar”.

    Nem sempre você obterá os melhores índices, Nicole. E, apesar de você ter uma super-responsabilidade por eles, há coisas e situações que a sua filha experimentará e que – óbvio – você não poderá viver por ela. A Vittoria acompanha diretamente os seus cuidados e os terá como modelo quando chegar a hora de cuidar sozinha de si mesma, mas isso também não garantirá que ela fará do jeito como você mesma o faria, entende? As alterações que virão com o tempo estarão relacionadas à própria personalidade dela, ao modo que ela desenvolverá de ver e de sentir o mundo, à incursão na pré e na adolescência, as diversas variações na TPM e já na menstruação, às frustrações próprias da idade, à expectativa em relação ao garoto por quem se sentirá apaixonada pela primeira vez… Sua participação, Nicole, será sempre inestimável, mas você não poderá se sentir culpada diante daquilo que fugir ao seu controle – até porque, chegará o momento (que não tarda) de você dividir igualmente toda essa responsabilidade, até que, transcorrido mais um tempo, você terá de repassá-la integralmente.

    Sabe, Nicole, o que me chamou mais atenção foi o fato de você não estar vivendo a sua vida. E, mesmo não a conhecendo, imagino que você fez essa escolha de um modo consciente, ao constatar a necessidade de cuidar de uma criança que pede atenção diferenciada. No seu lugar, talvez eu fizesse o mesmo. Mas, como não estou no seu lugar, faria diferente – ou, pelo menos, tentaria, sabe?

    As meninas crescem dia a dia; o tempo está acelerado. Ao deixar de cuidar da sua carreira profissional, de se divertir e namorar, por exemplo, fica evidente que você está fazendo isso por ela(s). Mas será que, se a Vittoria – principalmente – estivesse em idade de escolher (e de escolher com bom-senso), sua filha pediria a você esse grau de doação?… E quando ela estiver saindo sozinha com as amigas ou com o namorado, deixando-a preocupada em relação ao que ela consumirá, se aplicará as injeções nos horários certos, etc., você terá desprendimento o bastante para não se lembrar de que abdicou de áreas importantes da sua vida “por causa dela”, ao passo que sua filha não abrirá mão de curtir a vida “por sua causa”, só para não preocupá-la tanto?…

    Você pode conhecer bastante a sua filha, a ponto de afirmar que ela não terá um comportamento rebelde na adolescência e que a deixará livre dessas preocupações todas. Mas também pode ser que, ao abrir mão das amigas, das baladas, das viagens ou do namorado, o sentimento que a mova seja culpa, por ter de reconhecer que “minha mãe fez isso por mim. Serei uma filha má se não fizer o mesmo por ela”.

    A Vittoria ainda é muito menina, eu sei, e, por favor, entenda que lhe escrevo essas palavras com o coração cheio de ternura, sentindo, de alguma maneira, as angústias que você traz aí dentro nesta manhã.

    Depois de pouco mais de 14 anos de diabetes, Nicole, tenho a oportunidade de pensar em mil coisas que as idades anteriores não me permitiam. E acredito que o grande desafio do diabetes esteja no amor-próprio que ele nos obriga a desenvolvermos por nós mesmos – aprendizagem na qual pai e/ou mãe não poderão nos substituir. Do meu despretensioso ponto de vista, o melhor que você tem a fazer é ensinar a Vittoria a ser independente de você (o que também exigirá um grande desprendimento do seu apego materno).

    Quanto mais autonomia você lhe repassar, mais feliz ela será – embora, com isso, você possa vir a ter conflitos internos, pois pode ser que você venha a se sentir “dispensada” como mãe. No entanto, Nicole, ser mãe de uma criança diabética também é um desafio que veio para lhe ensinar alguma coisa. E alguma coisa que, muito provavelmente, não diz respeito a você deixar de viver a sua própria vida, anulando-se como profissional e como mulher.

    Quanto mais a Vittoria puder se cuidar por si mesma, melhor. Ao mesmo tempo, entendo que isso seja algo difícil para você. Se eu fosse mãe, por exemplo, provavelmente “seria um parto” descentralizar os meus cuidados para delegá-los aos meus próprios filhos – em partes, claro. O apego que tenho hoje não me permitiria isso, e por isso mesmo é que não sei se terei filhos – a menos que evolua um tantinho (risos).

    Quando desenvolvi o diabetes, aos 12 anos, a minutos de entrar em coma, eu e a minha mãe passamos longos dezesseis dias no hospital. Dias depois de eu ter saído da UTI e ido para o quarto, a enfermeira entrou com a injeção de insulina, que finalmente vi pela primeira vez. Nos dias anteriores, eu já tinha sido furada por todos os lados, inclusive pelas injeções da insulina, mas meu estado era tão deplorável que eu mal tinha energia o suficiente para manter os olhos abertos. E a enfermeira disse:

    “— Hoje você vai aprender a aplicar insulina em você mesma…”

    Minha mãe se adiantou, imaginando que a enfermeira fosse explicar o procedimento para ela, primeiramente.

    Muito sábia, aquela mulher surpreendeu a expectativa da minha mãe:

    “— Mãe, se eu ensinar a senhora, estarei garantindo que, pra todos os lugares onde a Iara for, a senhora terá de ir junto. Isso seria ótimo, eu sei, porque também sou mãe… Mas ela precisa viver a vida dela…” – e, de um jeito desprendido, ela virou para mim e disse: “— Quando você quiser sair com o seu namoradinho, você vai levar a sua mãe com vocês?… Quando for viajar na lua de mel, vai levar sua mãe na bagagem?… Então, vamos começar já!”

    Minha mãe nunca soube aplicar insulina, Nicole. E eu tenho gratidão pela iniciativa daquela enfermeira.

    No convívio social, as pessoas não deixarão de viver suas vidas, de fazer as suas coisas porque a Vittoria é diabética. Se, aos poucos, isso não ficar claro para ela (e, quem sabe, por meio do seu próprio exemplo), estará fadada a se frustrar muito ainda, por ter sido acostumada ao que não corresponde à regra. Seu extremo zelo para com ela, Nicole, é a exceção. Que bom que você encontrou uma professora (uma escola) que mantém com você essa “parceria” pelos cuidados da sua filha, mas, se você não encontrasse, a Vittoria teria de estudar em “condições normais”, como todas as outras crianças. Ou, a pretexto de “preservá-la”, você a pouparia de estudar numa escola pública, com todas as deficiências da rede pública de ensino?…

    Como mãe, entendo que você garantirá o melhor para ela. O paradoxo é que, se não quiser vê-la sofrer mais tarde (e muito), terá de prepará-la para o fato de que ela é quem terá de se adaptar ao mundo e às pessoas, e não o contrário.

    Desculpe, sei que já escrevi demais, e ficaria muito feliz se as minhas palavras pudessem confortá-la. Se possível, gostaria de que você pensasse no que lhe disse sobre o sentimento de culpa que toda essa sua abnegação de hoje pode vir a despertar na Vittoria. Acredite, Nicole: a culpa que ela pode sentir por você estar deixando de viver a sua própria vida é algo muito ruim. Eu ainda aposto que, se hoje ela tivesse idade e alguma maturidade, diria, quase lamentando: “Mamãe, não precisa ser assim…”

    Um abraço fraterno e, como escreveria nosso amigo Marcelo, “fique bem”.
    Iara Mola

  3. Tudo dito!
    E digo mais… Fique bem!!!rsrsrs

  4. Oi Nicole, tudo bem?
    Olha, eu acompanho o seu blog e pelos seus relatos eu gostaria de fazer uma observação: se você quer controles perfeitos não deixe sua filha comer coisas com açúcar.
    Mesmo que você, depois dela comer, faça o HGT e corrija o que estiver errado com a insulina a glicose vai ficar alta por algum tempo e isso vai interferir nos exames. Nunca dá para saber como vão ficar as coisas quando se aplica a insulina: pode ocorrer tudo muito bem, ser insuficiente ou dar hipoglicemia. E essas variações não fazem bem.
    Desculpe por qualquer coisa, mas é só o que eu acho (:

  5. Vc é incrivel no que faz, mas infelizmente nunca vai depender só da gente, ou deles…fatores externos, e não só o açucar é que vao determinar esse tal indice… Vai dar tudo certo. bjs

  6. Estou a algum tempo pra escrever minha opinião sobre a lua de mel, não acredito que ela exista.
    Com os problemas de saude que ela teve, mais a ansiedade que toda criança tem no natal, você não deveria se martirizar tanto.
    Eu espero resultados parecidos, não porque fizemos algo errado, mas porque aconteceram coisas que fugiram ao nosso controle.
    Você é mãe, não é Deus.
    “Meu filho também come açucar”

    Iara,
    não é sabedoria é serenidade:
    “Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras”

    É a minha oração todos os dias.

  7. É isso mesmo, Sarah! Uma oração que diz tanto em tão poucas linhas…

    Obrigada por me lembrar! Guardarei comigo.

    Abraço,

    Iara Mola

  8. estava commuito preo cupada tambem da So tavacom 8.5% o medico me disse para respirar e ir com calma .

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