Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!

Mãe longe de filho diabético….

9 Comentários

Estou prestes a confessar algo que talvez nem todos entendam… e que pode dar margem a uma má interpretação. Mas, vou correr esse risco. Certamente outras mães já se sentiram ou virão a sentir algo parecido com isso…

Minha filha está num passeio com a escola. Foram para um Zoológico em Sorocaba. Saíram às 7h e voltam às 17h. Eu não estou nem um pouco preocupada com a Vi, mas sim, com a prô. Que além de estar com muitas crianças, o que já é estressante por si só, está com uma criança que precisa de atenção e cuidados especiais, hoje, pelo menos 4 vezes. Aplicar a lenta às 8h. Medição e correção/bolus no lanche da manhã, no almoço e no lanche da tarde. Mandei uma carta com todo o procedimento apesar de ela já estar familiarizada. Mandei celular e todos os lanches separados e etiquetados pra evitar qualquer tipo de dúvida. Agora são 14h e, pela ausência de telefonemas, tudo está nos conformes.

É uma sensação estranha não ter que medir o dedo de ninguém na refeição. É estranho não precisar contar carboidratos ou aplicar insulina. Depois que nos acostumamos com a rotina, essas coisas quando não feitas, ‘fazem falta’.

Quero aproveitar pra contar pra vocês sobre o acampamento que a Vittoria foi ano passado com a escola. Já contei?? Acho que já. Não sei…. Foram 3 dias. Ela tinha 5 anos. A professora levou tudo e uma carta com 3 páginas onde eu tentei falar de tudo que poderia acontecer. TUDO. Tentei prever situações e fiz vários exemplos de como proceder. Deu tudo super certo, não teve hiper, nem hipo.

Mas o que eu quero contar é como foram esses dias sem ela em casa. E é aqui que nem todo mundo pode entender o que quero dizer. Enfim…
O dia passou com mais tranquilidade. Não teve correria, não teve estresse, não teve preocupação. Por incrível que pareça, apesar de sentir que ‘algo’ estava faltando, a sensação maior que eu tinha era de alívio. Acreditem se quiser, apesar de estar apreensiva por ela estar longe e sob os cuidados de outras pessoas, eu estava um tanto aliviada. Depois de 7 meses sem dormir direito, eu tive uma BELA noite de sono. Não havia a preocupação da hipo. Eu estava sim preocupada com as hipos no acampamento, mas não adiantava ficar pensando nisso. Não teria como resolver eu resolver algo que acontecesse lá, pois tudo é resolvido muito rapidamente, tanto na hipo quanto na hiper. Estava tudo nas mãos do pessoal lá. E talvez por ter conseguido (em partes) passar essa responsabilidade pra eles, consegui dormir. Ao acordar me senti mal. “Como uma mãe consegue dormir como uma pedra quando seu filho diabético está longe e sendo cuidado por ‘estranhos?'” Não sei, só sei que dormi como a muito tempo não dormia.

Os dias demoraram a passar. Me via sem ter o que fazer.

Nas refeições, não tinha a ansiedade em saber quanto estava a glicemia, pesar comida, fazer cálculos, aplicações, e ficar torcendo pra ela comer tudo. Na casa, ficou um silêncio entristecedor. Eu amo minha filha e ela faz muita falta sim, mas o diabetes não. Eu estava aliviada de não ter que cuidar do diabetes. Parece que minha mãe também estava. Comentamos uma com a outra o que estávamos sentindo e nos sentimos mal. Pois até pra nós ficou difícil entender esse sentimento de alívio por uma pessoa não estar em casa. No entanto… não era a falta da pessoa que nos aliviava, apenasd o diabetes….

Acho que se um dia ela se CURAR, curar mesmo… sem pâncreas artificial nem nada disso…. o alívio será tanto que eu vou levitar…..

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9 pensamentos sobre “Mãe longe de filho diabético….

  1. Nic,
    Acho que é o que todas nós queremos 24h sem diabetes.
    O Igor tem um amiiguinho que a familia se propos a aprender os cuidados, quando ele vai pra lá eu realmente relaxo mas é estranho, estamos tão acostumadas que sentimos falta da rotina, da presença das crianças não do diabetes.
    Como te entendo.
    O Igor não foi a aula nestes dois dias pos passeio, não quero que ele se sinta mal por não ter ido, segunda feira ja terão esquecido o passeio.
    Será que me perguntarão porque ele não foi a aula????

    Beijinhos

    • Talvez perguntem, e aí, Sarah eu acho que você tem que falar…. falar a verdade.
      Pq que foi uma sacanagem o que fizeram, aahh foi!!!

  2. Agora que vc escreveu isso eu posso dizer:Como eu sinto inveja das mães que não tem filhos diabeticos.Como seria maravilhoso ter somente um dia sem ter que se preocupar com nada,a vida mudou tanto depois da doença que eu nem me lembro de como era antes.É pra momentos como esse que criaram aquela frase” eu era feliz e não sabia”.!!!!!!!!!!!!!!

  3. NIc eu ja me pegeui pensando varias vezes se um dia houver a cura ,acho que no cmoeco vou ficar perdida ,sera que vou comer sem medo ? Ou vou continuar com medo de comer e ficar epnsando se os numeros estao subindo estao caindo ,realmente DIABETES cansa ,e sabe se sentir aliviada ,nao quer dizer que vc nao ama ,mais ter umas ferias do DIABETES deve ser otimo sera que tem um acampamaneto pra eu mandar a minha DIABETES e nem que seja por 24 horas rsrsrsrs!!!!
    bjim

  4. Ainda estou Dando os primeiros passos junto a diabetes da minha filha, me sinto exausta, esgotada, estressada. Não me sinto mais eu na verdade. Tudo na minha vida virou de cabeça pra baixo. A Amanda minha filha mais velha de 8 anos, agora não quer se separar de mim, nem pra ir a escola, a casa das amiguinhas, ela não me deixa nem ir ao banco pagar uma conta. Ainda não consigo fazer a pergunta de como seria a vida sem a diabetes, me pergunto como será minha vida agora? E repito uma frase que li acima. Como eu era feliz e não sabia.!! As vezes parece que estou tendo um pesadelo daqueles…mas acordo e tudo ta do mesmo jeito. Acho que o que faz agente continuar êh o amor incondicional, e o sorriso no rosto dos nossos pequenos, mesmo com tds os furinhos, vê-los de bom humor, apesar dessa doença tão ingrata. Isso nos faz continuar e também a esperança de que td vai dar certo. Mas confesso a vcs estou a beira de um ataque de nervos. Desculpem o desabafo!!! E que venha a tão sonhada cura, pra voltarmos a sermos nos mesmos.

  5. Nic, não se sinto culpada não. E acho que aqui ninguém vai recriminar vc não querida, até porque compartilhamos dos mesmos problemas e dilemas. Quantas vezes me pego pensando de repente “Meus Deus ela ficou diabética, porque aconteceu isso?”.
    E entendo bem esse seu sentimento.Acho que todas nós também compartilhamos desses sentimentos.
    Bjksss

  6. Fico contente com o acolhimento de vocês…
    às vezes parece que a sociedade cobra demais das mães…
    tem que ser guerreira, tem que ser forte, tem que aguentar, tem que sorrir, tem que levar, tem que pegar, tem que aguentar, aguentar, aguentar… e ainda parecer feliz.

    Penso que nós mães, podemos mandar nossos filhos pra acampamentos..eles um dia vão ser independentes, cuidar de si mesmos….. e eles? qual é a saída deles pra descansar do diabetes? Né Rô…..

  7. pois eh…lendo teu post fiz a mesma pergunta… quando nós diabéticos teremos descanso deste estresse diário?!
    Imagino como deve ser bom ter “dias de folga” Nicole, e como eu gostaria de tê-los também… mas enquanto para mim ( e todos os outros diabéticos) não existe uma forma, fico feliz em ler que os cuidadores podem e DEVEM ter um pouco de folga… não deve ser fácil… e não tem que ser guerreira sempre… mães são humanas, acima de tudo. Beijos

  8. Háaaa ferias….deste diabete….nossa como estou precisando…..estou eu aqui como minha pressão super alta de tanto me preocupar com essa diabete….Sabe o que eu queria era um dia acordar 12h…..e ficar sem fazer nada….da cama pro sofá do sofá pra cama só relaxando kkkk
    Mas sabe as vezes como sou artesã deixo o Vini com meu pai e passo o dia lá na feira de artesanato fico tranquila, mas ligo na hora do almoço e janta pra falar se ta tudo bem, afinal se eu levar ele além de ser pequeno vai destruir a feira…. e eu não vejo nada de novidade pro ano.
    Confiar na professora, ou em alguém pra relaxar e bom demaisssssssssssssssss a gente precisar se dar a esse LUXO porque é um luxo bom que nos faz lembrar da vida como era e termos mais força pra mais dias com Diabete.
    bjs

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