Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!

Sobre as diferenças…..

5 Comentários

Que bom que elas existem. Cada vez mais tenho certeza de que um mundo cheio de gente igual ia ser um porre. E quando as diferenças são MUITO diferentes do que estamos acostumados a ver?

Desde que minhas filhas começaram a me questionar sobre as diferenças das pessoas, eu faço um baita esforço pra não passar nenhum valor preconceituoso. Me questionaram sobre os negros, os japoneses, os magros, os obesos, os velhos. Depois foram os deficientes mentais, deficientes físicos .Os mendigos, moradores de ruas e pedintes…. e todas as pessoas que apresentavam características que elas ainda não tinham visto e me perguntado: O que é? Por que é?

Comigo não é diferente. Eu reparo quando estou no metrô, andando na rua, as pessoas com características que eu normalmente não encontro no meu dia-a-dia. E eu olho. Olho porque não conheço. Olho porque não entendo. Olho porque quero saber mais, me solidarizo. Imagino o contrário. Não deve ser nada agradável ter uma pessoa olhando pra você, prestando atenção em algo que pode também te incomodar. Então me policio.

Tudo isso pra contar que ontem aconteceu o primeiro comentário ‘maldoso’ sobre a Vi ser diabética. Maldoso? Não sei. Pareceu. Mas não consigo (nem devo) julgar um comentário de uma criança de 6 anos sem ao menos conhecê-la, certo?

Minhas filhas tem uma curiosidade especial por anões. E sempre que eu sinto uma abertura, eu facilito o contato. Certa vez, numa loja de roupa num shopping, encontramos duas moças, anãs (não sei se esse é o melhor termo a ser usado, portadoras de nanismo, talvez? não sei mesmo), comprando roupas. As meninas correram pra perto de mim pra mostrar e comentar… e foram chegando perto e fazendo comentários altos perto das moças e eu perguntei pra meninas: Vocês querem conhecer essas pessoas? e elas: SIIIIM !!!! Cheguei perto e disse: Desculpa incomodar mas minhas filhas querem conhecer vocês, tudo bem?? Elas foram ESPECIAIS com minhas filhas. Extremamente acolhedoras, simpáticas e acessíveis. Responderam a todas as perguntas de crianças de 5 e 6 anos, vocês podem imaginar bem o tipo de pergunta. Uma delas era professora de educação infantil, comentou que seus alunos tinham sua altura, e a Vi e a Du ficaram encantadíssimas. Eu fiquei muito ‘aliviada’ com essa aproximação. Tenho certeza de que foi de grande valia pra todos nós lá.

Perto da natação, tem um outro rapaz, também anão, que passa na calçada da academia toda vez que estamos indo pra casa. Adivinha: MANHÊEEEE, OLHA LÁAAAAA, UM ANÃAAAAAO….. (quase morro de vergonha, porque não sei como as pessoas vão reagir com essa ‘intimidade’ todas das minhas filhotas, que são ‘pura pureza’ de coração).. ele olhou pra trás e todas o cumprimentamos. E assim é toda vez que nos encontramos. Ele nunca parou pra conversar mas percebo que sorri mais quando nos vê.

Ontem, eles tiveram uma tarde de contação de histórias numa livraria perto da escola, que é perto da academia. Foram a pé. E adivinha com quem encontraram no caminho?? Com esse rapaz, que de certo trabalha alí perto. E a Vittoria, toda meiga e educada, cumprimentou o cara. Um colega, que hoje fiquei sabendo ter o hábito de fazer comentários desnecessários aos colegas, viu o entusiasmo da Vivi pelo rapaz e disse: Ele é anão, Maria Vittoria! E ela: Eu sei, e daí? Ele é meu amigo, eu conheço ele. O menino não satisfeito: Você conhece ele porque ele também tem diabetes. Quem tem diabetes é anão. Você vai ficar que nem ele.

Ela me contou isso no carro, ontem, na volta da escola, num tom de voz….. digamos…. um pouco preocupado: Mãe, quem tem diabetes não cresce?? Eu: Claro que cresce Vittoria, você conheceu várias pessoas adultas e altas, que eram diabéticos desde pequenos e se desenvolveram normalmente, mas porque a pergunta?? Ah mãe, sabe… o fulano disse que quem tem diabetes não cresce e vira anão só porque a gente viu nosso amigo anão na rua e eu falei oi pra ele.

Juro pra vocês que fiquei alguns segundos pensando. Pensando na melhor maneira de reagir, de responder. E disse, com toda raiva contida sabe-se lá onde (minha vontade era… vocês sabem, no fundo, falar poucas e boas pra esse moleque) e disse: Filha, esse seu amigo não sabe nada de diabetes nem de pessoas anãs. Ele precisa conversar mais com os pais dele e procurar entender melhor as coisas antes de sair falando besteira pros colegas. Aí a raiva ficou maior e saiu um: Fala pra esse moleque que ele é muito BURRO, que ele não sabe nada. E ela, com toda sua delicadeza: Não mamãe, a gente não pode falar assim com as pessoas. É verdade, Maria Vittoria. Você sabe disso. E espero que não esqueça nunca.

Contei pra professora. Ela disse que ele lança realmente umas pérolas dessas e quando indagado diz que não sabe de onde veio, que inventou na hora. Minha vontade, se eu fosse professora, seria: LIÇÃO DE CASA: PESQUISAR COM O PAPAI E A MAMÃE – O QUE É DIABETES E O É NANISMO.

Pronto. Esse foi o primeiro comentário sem noção. Certamente, infelizmente, haverão muitos outros.

E vocês meus queridos? Já passaram por isso? O que fariam? Encham de comentários, por favor…. quero estar melhor preparada pras próximas !!!

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5 pensamentos sobre “Sobre as diferenças…..

  1. Semana passada ou retrasada (não me recordo ao certo) passei por uma dessas… Tinha arrancado o dente “ciso” e como estava um pouco infeccionado minha endo me indico um antibiótico (de comprimido), dai ao comentar que estava tomando o remédio, uma amiga de cursinho me pergunta: “Ué, mas você pode tomar remédio?” e eu na maior paciência e educação: “Claro que posso, pq não poderia?”. Parece que não há muita diferença pra uma criança de 6 anos pra uma adolescente (vestibulanda) de 18 anos…

    O pior ainda foi quando fui ao dentista, pra fazer um “check-up” e as DENTISTAS acharam fascinantes eu ser diabética desde a infância… Achei isso um absurdo, afinal são PROFISSIONAIS da SAÚDE e não crianças ou adolescentes desinformados…

  2. Olha Ni, crianças podem mesmo ser cruéis, e acho que mais por que escutam coisas em TV, em casa, sei lá…..acho triste pensar que nascem assim e pronto….O Gui já passou por isso, quando um amigo dele aqui do prédio o chamou de Cebolinha, depois que ele falou “pala de jogar água em mim” e não pára. Está na fono já, mas ele ficou chateado….eu disse para ele ficar tranquilo, pq já estava aprendendo o jeito certo de falar algumas palavras, e que ele não era o Cebolinha, tava mais para Cascão pq sempre reclamava na hora de tomar banho…ele riu e voltou a brincar.
    Ele mesmo nunca foi de perguntar sobre diferenças, e não é por falta de convivência, pelo menos racial.
    Achei o texto ótimo, para mostrar o quão importante é ensinar que não somos iguais, e devemos aproveitar a diferença para aprender sobre tudo!! E nossa sorte é que nossos filhos são bem melhores do que a gente, e ainda vão nos ensinar muito, até mesmo a não chamar ninguém de burros!!! hahaha Bjos

  3. Criança tem dessas mesmo!!! Uma maldade natural!!!rsrs
    Esta questão de filho fazer comentários que nos deixam sem graça eu também já passei… várias vezes com meus filhos!
    Meu moleque estes dias passou do lado de uma pessoa negra e disse:
    Olha pai… a cara dele é preta!!! O cara me olhou meio estranho… e eu fiquei ali…meio… cara de paisagem!!! Caraça… que chato… parecia que eu tinha alguma coisa contra o cara ser negro!!!:P
    Aí, outro dia foi na feira… ele passou do lado de um frei e disse… Olha pai… ele tá de saia!!! Putz!!! Tá láo Marcelão com cara de besta de novo!!!rsrsrs
    Tem várias dessas… se contar fico horas!!!
    Na boa… não liga pra comentário de crianca não… nem nos que parece preconceituoso… na real… acho que é só uma conversinha sem sentido mesmo!!!rsrs

  4. Querida Nicole, é dificil mesmo.
    Em criança gozavam-me na escola.
    Tb já o fizeram com a minha filha. Tentei confortá-la e explicarque existem meninos que não sabem o que é ter diabetes, que não o fazem por mal, blá blá blá quando na verdade a vontade que tenho é ir lá e gritar. Doi muito não é?
    As crianças são o mais doce do mundo mas tb ,muito cruéis quando querem….

    Fique bem querida

  5. Absurdo, e o pior é a fonte que essa criança pode ter usado, como seus pais, talvez. Por isso minha luta Nicole, não quero que ninguém passe por esse tipo de situação, sei que crianças são assim, mas para mim o problema pode estar em de onde foi que realmente partiu isso, criança é muito verdadeira, ela pode ter ouvido isso de um adulto, aí é onde mora o perigo, absurdo, mas ainda bem que ela tem um coração enorme, e você também, por isso que digo, mãe é LEOA. bjaum
    Athayde Leite

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