Minha Filha Diabética

Uma vida mais doce após o diabetes tipo 1!

O dia-a-dia da Vivi…

2 Comentários

em detalhes, porque acho que nunca ficou muito claro.

Manhãs:
2ª e 6ª – 8:30 subo na minha cama pra aplicar a Levemir nela (dorme na cama de cima do ‘triliche’), quando ela sente que estou chegando perto ela diz: BUMBUM NÃÃÃOOO…. ‘Tá bom, Vivi, me dá a perninha…’ Aplico e ela segue dormindo até umas 9h, às vezes mais, pra tomar café da manhã. Aí eu meço a glicemia, ela come e dou a NovoRapid. Brinca com a Duda, assiste TV, faz tarefa.

3ª, 4ª e 5ª – Acordamos às 8h, com muito custo consigo tirá-la da cama lá de cima no colo, contando piada e fazendo cócegas. Já vou tirando a roupa dela, coloco no banheiro pro xixi. Enquanto coloca o maiô pra natação eu meço a glicemia e vejo se precisa corrigir hipo. Nesse meio tempo ela desce e prepara o próprio café (iogurte com cereais, ou yakult e uma bolacha, nada perigoso) enquanto eu chaveco a Duda que é mais preguiçosa pra levantar. Ao descer com a Duda são 8.30, preparo o café dela e vejo o que a Vivi está comendo, calculo o carboidrato e aplico a Levemir e a NovoRapid, aí sim no bumbum… acho sacanagem enquanto ela dorme mas acordada não tem conversa. Como ela já apresenta lipodistrofia na barriga, agora é proibido. No braço já teve uns carocinhos, paramos de aplicar e melhorou. Na perna já aconteceu o mesmo, então quando pego ela de jeito, vai no bumbum. Até hoje ela reclama, diz que não, mas eu digo que é necessário mudar o lugar da aplicação, ela faz uma ceninha básica, aceita, tenta me dar um tapa (rss) e vai escovar o dente. A Duda termina o café (muitas vezes no carro, porque ela é uma lady e faz tudo em câmera lenta) e saímos. Na volta da natação rola metade de uma fruta, ou um danoninho (6,5 CHO) pra esperar o almoço.

12h 2ª a 6ª – Hora do temível almoço…
É, é o horário que termina o único desenho que elas assistem de manhã, o Peixonauta. Lavam as mãos e meço a glicemia da Vivi. Corrigimos (com mel, ou suco com açúcar, ou água com açúcar, o que o humor dela permitir) se estiver com hipo e ela senta pra almoçar. E a Duda junto. E começa o drama. Tudo dói, da cabeça aos pés, apetite some, aí começam as chantagem, as trocas, as barganhas de todo dia porque a menina tem que comer pra ir pra escola. A Duda já aprendeu o esquema direitinho, então quando esporadicamente a Vittoria não faz essa cena, a Duda faz! Pudera eu não sentir fome nesse horário, né! 12.30 de um jeito ou de outro, saímos da mesa pra escovar dente, fazer xixi, terminar de colocar as cosias na mochila… e tomar a NovoRapid se precisar. Normalmente com a super refeição que ela faz, não tem precisado. 12.50 Estão entregues e aí eu tenho um tempinho de sossego.

Tardes na escola!
A Duda graças à Deus não tem nenhum procedimento. Mas a Vittoria tem alguns. Sempre às 15h a professora mede a glicemia. Isso acontece deeeeesde que descobrimos o Diabetes e voltamos pra Minas. Porque esse é um horário safadinho, do pico da NPH (na época) e, mesmo a Levemir sendo lenta, é o horário que ela está a todo vapor. Coisas desagradáveis podem acontecer. As hipos. Dependendo do valor, faz a correção da hipo, toma lanche e toma a NovoRapid, sim, a professora aplica. Antes de começarem as aulas eu fui lá, expliquei tudo, fiz medições e aplicações na Vittoria pra ela ver, levei todos os meus folhetos, enfim. Não falta informação. Pode acontecer dela errar? SIM, assim como eu posso errar,  minha mãe, qualquer um que tenha que fazer essas coisas. Pronto. Lanche tomado. 2ª e 4ª tem esporte na escola até às 18h. Então acontece a nova medição pra ter certeza das condições dela de fazer atividade física. Faz-se o necessário e, em casa, as 18h, tenho que medir de novo, pelo menos agora no começo, até entender como o organismo dela vai reagir ao esporte nesse horário.

Noite
19.30 ou 20h sai o jantar. Às vezes o horário muda com o humor, glicemia, pitis, mas normalmente é isso aí. Lavam-se as mãos, a Duda inclusive, afinal vamos todos comer. Medimos a glicemia da Vivi, ela janta e ao final da sobremesa, perto das 20.30, calculo os carboidratos e aplico a Levemir de novo e a NovoRapid (se precisar).. de de novo meu lugar favorito é o bumbum! Mas depende do humor dela, das pessoas na casa, se tá na cozinha, na sala. Normalmente quando ela me vê com as canetas e já sabe que é no bumbum ela corre e se esconde… dá risada mas fica brava. Pego na força mesmo, mas num espírito de brincadeira, fazendo cócegas, rindo.. ela aceita a aplicação, ‘rosna’ e sai brincando numa boa. Assistimos algo na tv, elas brincam mais um pouco, ás vezes rola um DVD e às 22h medimos a glicemia de novo pra ela dormir. Dificilmente toma a Novorapid, só quando está acima de 300 e aí toma um copo de leite ou iogurte e vai dormir. Se ela chega às 22h com menos de 100, eu fico meio preocupada e apesar do lanche ser reforçado, programo meu celular pra despertar às 3h e meço de novo.

Esse é o resumo dos nossos dias. Todas as medições são tranquilas, ela me dá a mão, nem olha, nem pergunta, nem reclama, nada. Onde quer que a gente esteja, publico ou não, ‘medir o dedinho’ é como tossir, espirrar… não tem hora nem lugar. Eu meço e ela coloca o dedo na boca pra chupar o sangue que fica. Já a aplicação de insulina por vezes não se dá tão tranquilamente, mas nunca mais houve pitis como nas primeira semanas do diabetes. Ela diz onde quer, onde não quer, xinga o diabetes, a mãe, todo mundo, mas aceita. E também não tem lugar, restaurante, cinema, shopping, clube, parque, não interessa. Onde houver necessidade acontece a aplicação. Claro, não vou aplicar insulina em público no bumbum, né. É sempre no braço, o lugar mais acessível, mais rápido e que ela mais gosta.

Respondendo as perguntas da dona Roberta !! Eu acho que ela reagem MUITO bem a tudo isso. Mas muito bem mesmo, que dou a ela o direito de ter os pitis dela quando quiser!!!! Ela ainda sente vontade de comer doces mas muito pouco. E quando come, não consegue mais comer tudo que gostaria ou que comeria antes do diabetes. Como todo mundo, ela sempre se pergunta e ME pergunta: por que sou diabética? Nunca vou melhorar? Por que eu não vou ser normal nunca mais? Por que só eu tomo insulina? Por que eu sempre tenho que medir o dedinho? Por que você vive me perguntando se eu tô bem? Por que só eu passo mal (hipos)? .. Enfim…. mesmas questões que eu tenho, que você tem, que todo mundo deve ter. E é por isso que nós fazemos terapia. Numa semana eu vou sozinha e na outra vou com ela e a Duda. Ela faz acompanhamento com psicopedagoga 1x por semana e acaba sendo a terapia individual dela, desenha, pinta, conversa, canta… e assim o tempo vai passando.

Como eu percebo as hipos dela… eu não percebo MAIS. Já foi bem claro. Irritação, dores de cabeça ainda acontecem, mas o suor na mão não percebo mais. A fraqueza, moleza, nada. Sei quando faz tempo que ela não come, ou muita atividade física, acabo me adiantando na medição da glicemia pra evitar sustos. E ela me diz: Mãe, não tô bem. Minhas pernas tão fracas, minha cabeça tá doendo! Essas costumam ser as dicas. Mas se ela não fala, fica difícil. Sempre que acontece uma hipo com algum sintoma eu converso com ela e explico a sensação, faço ela perceber o corpo, o que tá diferente e disso que é a hipo que ela está sentindo, pra ela mesma começar a perceber as mudanças e avisar.

Acho que é isso….

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2 pensamentos sobre “O dia-a-dia da Vivi…

  1. Nicole, você é demais :O

  2. Q super mãe vc é!!!!! Muito lindo tudo isso q vc faz pela sua filha, com certeza qdo ela ficar mais velha ira te agradecer.
    Lindo…lindo…lindo!
    Bjs
    Karin

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